Tanto quinta como sexta feira foram dias
muito pesados, mais de dez exames para serem feitos, e como estava sem plano de
saúde tive que dar um jeito em ir a cidade vizinha fazer uns bicos como
intérprete e também revisar uma monografia de urgência.
O importante é que achei tempo para tudo, e
de quebra arrumei o dinheiro para pagar meus exames.
A única coisa que não deu certo foi ver Dani,
a minha Dani. Mas aproveitei o tempo disponível para ficar com vó Maria e foi
muito precioso, através dela fiquei sabendo algumas coisas da minha comerciante
favorita. Entre elas que Dani é uma libriana com 29 anos, casada há mais de dez
com um homem de 33, que segundo a minha avó, ele é maravilhoso e que ela é
completamente doida pelo marido, descobri também que ela faz faculdade à noite
na federal, têm dois irmãos e um deles é gay. É filha de uma aposentada pelo
estado e por um advogado renomado na cidade, mas que não fala com ela
praticamente desde que casou com uma menina 20 anos mais jovem.
Enfim de toda a minha descoberta a que mais
doeu foi a ouvir dizer que Dani é doida pelo marido. Confesso que fiquei sem
chão, e ao mesmo tempo com a certeza de que não somente achava ela bonita, mas
sim estava me interessando por ela.
Interesse este, que me fazia pensar na simples
questão: Como eu poderia estar interessada
por uma mulher que sequer tinha dado um beijo? Isso era muito
preocupante.
Precisava dar um jeito de esquecer aquela
menina que me encantava, mesmo não me dando um sorriso sequer.
Por isso quando saí de casa na sexta feira a
caminho da cidade vizinha para fazer um extra, já comentei com a vó que iria
sair por lá à noite para aproveitar um pouco o término das minhas férias.
Escolhi um bar GLS, ambiente elitisado,
aconchegante, mesas por todo lado, um pequeno palco onde uma mulher lindíssima
tocava e cantava inesquecíveis canções da MPB, e mesmo sendo antes das oito da
noite o bar já estava lotado.
A garçonete veio me atender perguntando o que
eu queria beber, na verdade não queria nada de álcool. Ainda mais que teria que
dirigir mais tarde por mais de uma hora até chegar em casa, por isso pedi
apenas um suco. Acendi um cigarro e deixei meus pensamentos viajar. Óbvio que
retornaram pra Rio Grande, em um determinado Pet.
O suco chegou e a minha única dúvida era: “Como seria se ela estivesse aqui?”, “O que
ela deve estar fazendo agora?” ... Perdida em pensamentos nem percebi que a
mesa da frente estava umas dez mulheres na maior festa comemorando o
aniversário de uma delas, e na mesa ao lado havia uma morena, bonita bem
vestida, e que me olhava de uma maneira interessante. Mas não fazia muito o meu
tipo, era muito magra. Deixei de lado seus olhares e voltei a me perder em meus
devaneios, nos meus planos futuros, no meu novo emprego...
-- Me empresta o fogo? - ouvi o belo sorriso
da morena com um cigarro nas mãos.
-- Opa, pois não. – alcancei o isqueiro.
-- Posso sentar-me com você? – Perguntou
olhando na direção de três mulheres que haviam acabado de chegar e estavam
procurando mesa.
-- Pois não. – sorrindo indiquei uma cadeira -
Será que essa é a única coisa que eu sei falar?
-- Obrigada. – Sentando-se ao meu lado, com
um sorriso realmente encantador.
-- De nada. Fique a vontade. Gostoso esse bar
né? Não admira estar enchendo rapidamente.
-- Realmente uma delicia. E mais tarde tem um
DJ fantástico.
-- Ah é? Transforma-se em uma boate?
-- Sim. Estas vendo aquela porta ali? –
perguntou apontando para uma imensa porta de vidro a minha direita –- tem um
salão. – informou.
-- Nossa que legal.
-- Bom mesmo. Tu não conhecias?
-- Realmente não. Nunca tinha vindo aqui
antes.
-- Tu não és daqui né?
-- Como sabes? – perguntei sorrindo.
-- Teu sotaque, tem um ar de paulista, meio
carioca, sei lá. – sorria
-- Na verdade nem eu sei. Sei somente que
infelizmente o nosso sotaque pesado aqui do sul, com o tche, o bah, o né, ...,
não tenho mais, perdi nas andanças pelo mundo. – comentei sorrindo.
-- Andanças pelo mundo?
-- Sim. Tem uns sete ou oito anos que saí do
RS, morei em São Paulo, Campinas, Nova Zelândia, Florianópolis e agora de novo
em minha terra amada.
-- Nossa e o que a levou mudar tanto?
-- Estudos, ideologia de vida, busca de
melhora. Enfim muitas coisas.
-- E eu que pensei ser muito viajada, mas
confesso que mal saí do RS. – terminou em uma bela gargalhada e pedindo mais
uma dose do que bebia.
Ali ficamos conversando por horas, papo
agradável, beleza estampada na pele, inteligência exalando pelos poros. Mas e minha Dani por onde será que anda?
Mesmo com essa pergunta em minha mente direto, me deixei levar pelo papo da
morena que se chama Manu. Entreguei-me aos encantos dela e sem saber ao certo
para onde iria, a segui, e terminei a noite na cama de um motel com aquela
beldade. Realmente a mulher é muito linda, muito decidida na cama e pelo jeito
na vida.
Noite agradável, aproveitei para tirar todo o
meu estresse afinal era muito tempo sem me relacionar com ninguém.
-- Bom dia, bela mulher. – Ouvi assim que acordei.
–- Ops ou melhor, Boa tarde! – completou sorrindo a bela morena já
completamente disposta naquele horário da manha.
-- Boa tarde? – completamente perdida no
horário.
-- Sim branquinha, são onze horas da manhã. –
disse beijando meu pé.
Nossa se
ela soubesse o quanto odeio quando alguém beija o meu pé. Jamais faria isso de
novo.
-- Mas onze horas não é tarde. Ainda mais quando não se tem nada pra fazer.
– disse levantando a sobrancelha e olhando em seus olhos que me devoravam.
Quem ta na chuva é pra se molhar. Pensei,
mesmo que não tenha me interessado pela morena de cara, vou aproveitar mesmo o
momento, ela é bonita, está aqui ao meu lado, toda querendo, vamos fazer esse
esforço. “que esforço que nada a mulher é
um show, linda, bonita, simpática, vai que é tua Taffarel” – ouvi do meu
inconsciente e parti pra cima, degustando cada pedaço do corpaço a minha
frente.
***
-- Preciso voltar pra casa, minha avó deve
estar preocupada.
-- Rio Grande? – Indagou levantando a cabeça
que repousava em meu peito.
-- Sim. – acariciando seu cabelo respondi.
-- Me dá uma carona?
-- Claro. Onde queres que eu te deixe?
-- Na Praia. Tenho um encontro lá com os
colegas da faculdade.
-- Nossa que legal. Levo você sim, mas depois
como retornas?
-- Depois. Tu. Vem. Me. Trazer. – disse entre
um beijo e outro com o corpo completamente encaixado no meu.
-- Hum, interessante a proposta, mas não
posso demorar a sair mesmo.
-- Não demoro prometo. – E mais uma vez
atiçou meu instinto.
Conclusão: conseguimos sair da cama somente
perto das duas horas da tarde.
Quando estávamos quase chegando em Rio
grande, ela me fez a proposta de ir ao tal encontro com ela.
-- Mas o que vou fazer lá?
-- Se divertir, conhecer novas pessoas. Não
disseste que estás de volta há muito pouco tempo? Então.
-- Pode ate ser. Mas eles não ficarão
chateados de eu ir?
-- Nada, amizade nunca é de mais. Esse é o
nosso lema.
-- Verdade. Amizade sempre é bom. Preciso
apenas ligar pra minha avó e saber se ela não precisa de mim.
Perfeito, ligação feita, vó já sabendo que eu
estava bem e pertinho de casa, liberou na boa. Pode parecer estranho, mas fico
muito feliz em perguntar pra Dª Maria. “Posso fazer tal coisa?” e ouvir dela um
Sim. Sei que já tenho 33 anos, mas mesmo assim, me sinto protegida, fazer o quê?
-- É aqui. Indicou-me Manu, apontando pra uma
casa branca com janelas imensas de vidro, linda, cheia de carros na frente, o
muro que separa o quintal da rua tinha uma extensão absurda, acho que fazia a
volta na quadra.
-- Nossa Manu que casa é essa? – comentei de
boca aberta com o tamanho.
-- Relaxa o que a casa tem de grande meus
amigos têm de simples. Tudo gente boa e trabalhadores assim como a gente.
-- Sei. – me limitei a responder, pensando
que sinceramente com o salário que eu
passaria a ganhar pelas minhas aulas de inglês não dariam sequer para pagar o
jardineiro daquela mansão.
Manu aperta a campainha e aparece uma mulher
morena de olhos verdes, gordinha e baixinha, mas com um sorriso que encanta.
--AHHHHH – berrou ela mostrando todos os
dentes da boca.
-- Manu agiu da mesma maneira, pareciam duas
adolescentes de 13 anos.
-- Ai que bom que vieste. – abrindo a porta
para que Manu entrasse – e essa lindeza quem é? – se referiu a mim.
-- Essa é Cacau.
-- Já sei a tua namorada. – antes mesmo que
Manu falasse qualquer coisa –- seja muito bem vinda Cacau. Meu nome é Joana.
-- Obrigada. – respondi retribuindo a
gentileza e a simpatia. -– muito linda sua casa.
-- E não viste a metade. – encaixando seu
braço no meu. “nossa só faltou modéstia”
–- mas essa casa não é minha não. Preciso comer muito arroz e feijão pra ter um
palacete deste. – sorrindo gostosamente. –- Mas venha comigo que te mostro cada
canto.
-- Ai to indo ver o pessoal. Estão na
piscina? – perguntou Manu entrando por uma porta que nem sabia que existia.
-- Isso mesmo vai, que agora a Cacau será
minha.
-- E laia, se não fosse o Jairo ser casado
contigo há tantos anos, iria desconfiar hein. – Manu berrou se dirigindo ao
pátio.
Rindo e brincando Joana me mostrou a casa
inteira, todos os cômodos, menos uma sala e um quarto – Este é a suíte
presidencial, melhor não entrarmos né Cacau? – me puxando pelo braço em direção
ao corredor.
-- Preciso ir ao banheiro.
-– Têm vários. – me mostrou um e ficou a
minha espera.
Descemos em direção ao quintal, muitas
pessoas riam brincavam, comiam, bebiam e Manu no meio de três homens, não sei
por que, mas não senti ciúme algum. Acho que nem ela me dizendo que um deles
era seu marido. Claro que isso não aconteceu, aconteceu sim o inverso. Joana
aos berros chamou a atenção de todos: -- Gente controle-se temos visitas. A
todos apresento a namorada de Manu, aquela grossa de vestido rosa que deixou a
novata sozinha dentro de casa e veio beber com os amigos. - brincou.
Manu veio na mesma hora me apresentar todos,
(não lembro o nome da metade), e todos sem exceção foram muito simpáticos,
alguns apertei a mão, outros já vieram com a intimidade de três beijinhos no
rosto -– “E aquela ali, é a Dani, a dona da casa, mal educada que só ela, -
disse apontando pra piscina -- não de bola meu amor. Saia já dessa piscina! -
disse as gargalhadas.”
E nesse momento eu já estava extasiada
olhando a dona da casa... Era nada mais nada menos que a minha Dani, cabelo
molhado, argola grande na orelha, mesma corrente com pingente de pingo, ombros
de fora, e o restante de corpo dentro da água. Mesmo eu estando com óculos
escuros, percebi que nossos olhares se encontraram e algo estranho dentro de
mim aconteceu além do tremor nas pernas, o coração acelerou descompassadamente.
Quando a vi saindo da piscina ai mesmo que ele criou vida, queria a todo o
custo sair pela boca, e esta por sua vez teve que controlar para não ficar
aberta demonstrando todo o meu encantamento. Mas como não se encantar? Ela
estava realmente linda. Biquíni preto, bustiê branco que cobriam seios fartos e
pele dourada pelo sol. Quanto mais perto ela chegava mais eu tremia. Dirigiu-se
a cadeira ao meu lado pegou uma toalha branca e infelizmente se cobriu, e mais
perto chegou com seus olhos grudados nos meus. Minha reação foi apenas estender
minha mão a ela e soltar um envergonhado OLA.
-- Oi Claudia. Tudo bem? Seja bem vinda! – me
disse com a maior naturalidade.
--Vocês se conhecem? – Manu indagou.
-- Sim -
o que dizer se não a verdade? Pena que Dani não pensou assim e respondeu um
sonoro Não.
-- Então vocês se
conhecem? - Manu mais uma vez perguntou.
-- De vista. -
respondeu - é a neta da Dª Maria, cliente da loja.
-- Sim. Mal
conversamos. Todas as vezes que nos vimos. – falei sem reação.
-- Ah! É a menina
das chaves? – Um homem lembrou. Homem este que não me era estranho. Acho que eu
já o tinha visto alguma vez.
-- Isso mesmo. -
Respondi a ele sorrindo, relembrando do episódio que minha vó proporcionou.
-- Menina das
chaves? – Manu perguntou com ar perplexo.
-- Sim Manu, a avó
dela queria sair e ela não tinha chaves daí Dª Maria deixou na loja para que eu
entregasse. – esclareceu Dani.
-- Nossa que mundo
pequeno.
-- Verdade Manu,
mundo minúsculo. – comentei e me dei por conta que ate esse momento estava
segurando a mão da minha Dani.
-- Mas então
Claudia, seja muito bem vinda, a casa é sua. - disse entrando em casa -- Fique
a vontade. – falou de dentro da cozinha. Deixando-me ali, olhando ela se
distanciar.
-- Mas então Cacau
seja muito bem vinda. Eu sou Antonio, esposo da Dani e dono da casa. – se
apresentou salientando a palavra esposo.
-- Muito obrigada Antonio
– apertando sua mão e sorrindo delicadamente. Mas a vontade mesmo que eu tinha
era de berrar se afasta dela.
Em meio a tudo
vieram mais pessoas conversando, Antonio se afastou indo cuidar do assado e eu
fui muito bem recebida.
Pessoas
extremamente inteligentes, simpáticas, lindas, mas uma beleza interna, uma
simpatia sem comparação, bem coisa de brasileiro, coisa que não se vê lá fora.
E mesmo conversando com todos os assuntos interessantíssimos, não parava de
procurar Dani, que tinha desaparecido.
Vontade eu tinha
era de entrar naquela casa e procurar por ela em cada canto. Mas não foi
preciso. Após algum imenso tempo ela apareceu. Linda como sempre, cabelos
molhados, óculos servindo como tiara, usando uma bermuda branca, uma blusa
verde que deixava seu ombro a mostra e um tamanco de salto alto, realmente
impossível não olhar, não admirar aquela beldade.
Mas assim como eu
gostei, o es-po-so dela também gostou e diferente de mim pôde demonstrar esse
encantamento acarinhando sua es-po-sa.
Obviamente que
todos brincaram com todo o carinho demonstrado naquele momento, e eu nada pude
fazer a não ser observar com uma dor de cotovelo imensa. Mas tive que disfarçar
conversando com Jonas, um cara incrível que tinha acabado de chegar de Londres.
Apesar do papo
gostoso não conseguia tirar os olhos de Dani, seus traços eram de uma
delicadeza incrível. Acho que deixei meu interesse transpassar, pois ate Manu
que parece ser muito desligada percebeu e me chamou para conversar em um canto.
-- O que está
acontecendo Cacau?
-- Nada por quê? –
tentando disfarçar.
-- Tu não tiras os
olhos de Dani. Dá pra dizer o motivo?
-- Manuela, como tu
podes ter uma crise de ciúme?
-- Emmanuelle. Com
dois m e dois l, por favor! – me repreendeu ela.
-- Viu como podes
ter ciúme de quem não sabe nem o seu nome?
Veja bem, não estamos namorando. Conhecemo-nos
ontem. E outra não olharia tua amiga, ate mesmo por que ela tem marido e não me
envolveria com uma mulher ca-sa-da. Entendeu?
Menti, por que eu
já estava muito mais que envolvida. Meu coração disparava somente em vê-la.
-- Ok, Cacau,
desculpe. É que estou gostando de ficar contigo. E só em imaginar que possas
estar interessada em outra pessoa já me deixa sem chão. – disse em tom de
desculpas.
-- Tudo bem
Emmanuelle, mas que isso não se repita.
Sorrindo como
criança beijou-me o rosto, e deu um selinho em minha boca.
Após esse fato
tentei não olhar mais pra Dani, mas confesso que era praticamente impossível,
ela tem uma coisa que me atrai de uma maneira que não consigo controlar,
parecia que eu era um imã querendo grudar naquela geladeira. Por que era isso
que ela parecia. Conversava com todos, ria muito, e quando nossos olhares se
encontravam ela não demonstrava nada.
Jonas aproximou-se
e começamos a conversar em inglês, papo diverso e gostoso.
Manu que a essa
altura já estava alegre demais devido a bebida deixa-nos sozinhos e vai ao
encontro de Dani, ou melhor, fez exatamente o que eu queria fazer, ir pro lado
da minha comerciante preferida. Não agüentei ali muito tempo e juntei-me a
elas.
-- Nossa que papo animado. – cheguei
acarinhando o cabelo de Manu. -- Posso fazer parte? – completei, já sentando ao
lado dela e segurando sua mão.
-- Estávamos lembrando casos do tempo da faculdade
– mentiu Manu, obvio que elas estavam falando de mim, ela estava com uma cara
de safada, sem contar que entre uma palavra e outra me olhava e ria. .
-- E que casos são esses? – entrei na
mentira.
-- Nada de mais. Apenas bobagens de
adolescentes. – Dani comentou sorrindo em minha direção. Vontade de cobrir
aquele sorriso com um beijo ali mesmo. Mas contendo meus desejos agi
normalmente.
-- Fase boa. Acho que não tem melhor. Falou
Manu, me olhando como se eu fosse um troféu.
-- Verdade Manu. Acho que por isso que cursei
duas e estou até hoje estudando.
-- Estudas Claudia? – Dani mais uma vez falou
comigo. (comemorei internamente, se pudesse sairia pulando ali mesmo)
-- Sim fiz mestrado e agora estou tentando um
doutorado, mas quero aqui no Brasil. Exterior não mais, ao menos por enquanto.
-- Nossa que legal! – juro que se ela falar comigo de novo eu pulo.
-- Legal é essa tua casa, Dani. Adorei.
-- Obrigada. – mais uma vez sorrindo e eu me
controlando pra não pular nela.
-- Amor o jantar está pronto. – apareceu
excelentíssimo e beijando sua beldade e meu mais novo sonho de consumo.
Infelizmente os dois levantaram e foram em
direção a cozinha.
-- Amor tu estás com a mão suada. – comentou
Manu.
-- Verdade. Acho que estou com calor. –
desconversei meu nervosismo por estar ao lado da minha Dani.
-- Mas também não tomamos um único banho de
piscina.
-- Não gosto muito de piscina, prefiro praia.
– Afirmei levantando e indo em direção onde o casal entrou.
-- Aonde vais?
-- Banheiro.
Quando cheguei à porta da cozinha, me deparei
com uma cena desagradável, Antonio estava roçando seu corpo em Dani e
beijando-a de uma maneira apaixonada.
Interrompendo o romance, fiquei parada,
quando percebida, minha única atitude foi perguntar onde era o banheiro me
trancar lá e ficar o maior tempo possível. Sozinha naquele ambiente frio, mas
ao mesmo tempo muito bem decorado chorei, sem entender o que estava
acontecendo. “como eu pude me interessar por ela?” “ela é casada é hetero o
marido dela é rico, o que ela ai querer comigo?”... Perguntas mais perguntas e
lágrimas que não cessavam.
E como entregar meus sentimentos assim a uma
pessoa que não conhecia? Será carência?
-- Amor o jantar está servido. – ouvi Manu me
chamando. “como pode isso, mal fiquei com ela e ela já me chama de amor....”
-- Estou indo.
Tentando me recompor lavei meu rosto, fiquei
mais alguns minutos a sai, chegando ao quintal a mesa já estava posta, meu
lugar estava guardado ao lado de Manu, não tinha coragem de olhar pra Dani,
todos conversavam animadamente e eu apenas sorria, sequer tinha vontade de rir.
Na verdade queria sair dali o mais rápido possível.
Após o jantar, que pra mim foi apenas salada,
já que não estava no pique de comer nada muito pesado, comecei a beber, a
cerveja estava no ponto, gelada e refrescante.
Manu que estranhou minha atitude, já que só
tinha me visto beber suco me convidou para irmos deitar. “ai que alivio tudo o
que eu mais queria era sair dali”
Dani nos levou ate o quarto, Manu subiu as
escadas falando um monte de asneiras, eu as seguia somente dando risada, afinal
o que o álcool não é capaz de fazer?”
No quarto lindamente mobiliado, Dani
climatizou e Manu foi para o banho, deixando-nos sozinhas naquele ambiente.
Tudo o que eu queria... DANI E UMA CAMA.
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