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segunda-feira, 8 de abril de 2019

CAPITULO III


Dani arrumava a cama com delicadeza, eu encostada na porta aberta com os braços cruzado observava cada movimento dela, seus cabelos estavam todos de um único lado cobrindo seu rosto, com um brilho que quase ofuscava minha visão, seu ombro estava coberto, mas não pela blusa e sim pelos seus cabelos que conforme o movimento deixavam sua pele a mostra, suas mãos eram ágeis, e meus pensamentos vagavam em um mundo que eu conhecia, mas Dani com certeza não  e naquele momento o que menos custava era ensinar a ela o caminho das pedras. Seu cheiro exalava pelo quarto e eu perdida em meus pensamentos apenas observava, sentindo um calor fantástico nas minhas partes baixas.
-- Dani. Onde tem toalha? – gritou Manu do banheiro.
-- No armário. Porta da direita. – respondeu Dani levantando o rosto e olhando nos meus olhos.

Quando ouvi o barulho do chuveiro, me vi sozinha ali com Dani, e tendo certeza de que Manu não apareceria tão cedo, tomei coragem e fechei a porta por trás de mim.  E sem pensar nas conseqüências abri meu coração.

-- Você sabe o que está acontecendo Daniela? – Perguntei dando um passo em sua direção.

-- Desculpe. Não entendi – respondeu se esquivando de mim.

-- Você sabe que mexe comigo. – mais um passo em sua direção, coração querendo sair pela boca, mãos geladas e minhas pernas que só não batiam uma na outra por causa das minhas coxas grossas devido a algumas aulas de musculação.

-- Não faço isso. – mais um passo pra trás.

-- Faz sim. Você me deixa doida, mexe com meus sentimentos, com meus instintos. Mais um passo pra frente.

-- Desculpe não é minha intenção. – mais um passo pra trás encostando na parede.

Sei que não, ela não tem a mínima noção do quanto sabe ser envolvente.

-- Não precisa se desculpar Dani. Apenas me deixe sentir você perto de mim. – encostando meu corpo ao seu, sentindo seu coração bater descompassado, sua respiração ofegante e seu olhar assustado que ora encarava meus olhos, ora minha boca. Sem pensar em nada e completamente alucinada pelo seu cheiro pus meu rosto próximo ao seu e percebendo que ela assim como eu, não conseguia sair daquela situação pus minhas mãos com força em sua cintura e como se quisesse fundir um corpo no outro pressionava meu corpo contra o seu, Com esse toque percebi que Dani realmente não era uma mulher qualquer, não queria somente sexo, beijo, queria sim encontrar sua essência, e com minha boca procurei em seu pescoço, apenas rocei meus lábios e pude sentir um arrepio na espinha.

-- Cheiro gostoso – sussurrei e com um gesto mais singelo possível beijei seu rosto e tentando transmitir todo o meu carinho rocei minha boca pelo seu rosto e de leve encostei meus lábios aos seus e de olhos fechados beijei de leve seu lábio superior e inferior, não agüentando prendi esse em meus dentes sentindo sua mão em meu pescoço pressionando minha nuca a beijei com vontade e não mais querendo prendê-la junto a mim liberei seu corpo e de leve passei minhas mãos pelas suas costas sentindo toda a maciez do tecido de sua blusa.

De repente o barulho do chuveiro cessou e no lugar ouvimos Manu cantando:

- Who tried to hurt me with goodbye?
Did you think I'd crumble?
Did you think I'd lay down and die?
Oh no, not I! I will survive!

Assustada liberei Dani dos meus braços dei dois passos pra trás e sem olhar em meus olhos ela saiu correndo corredor a fora me deixando ali extasiada sem qualquer reação.

Manu deve ter cantado mais umas três vezes o refrão da música, e eu senti um aperto no peito, um nó na garganta e sentada na cama chorei. Chorei por sentir dentro de mim, que realmente estava apaixonada por aquela mulher hetero, casada, rica e que jamais seria minha.

Chorando e soluçando como criança que acabou de perder um doce me aninhei na cama não percebendo que Manu me observava.

-- O que aconteceu Cacau? – perguntou com ar aflito.
Sem conseguir responder, continuei chorando.

-- Cacau fala comigo. O que Dani fez contigo? Cacau?, - não conseguia de maneira nenhuma responder, apenas lamentar o sentimento imenso dentro de mim por alguém impossível.

Ela então se levantou e como um vento também saiu correndo do quarto.
Minutos depois ouvi a voz de Manu que gritava com alguém prestando atenção ouvi a voz de Dani e sem pensar em nada corri ao encontro delas pelo corredor imenso cheio de portas fechadas. “Puta que pariu ela não podia morar em um apartamento quarto e sala como a maioria da população?”

Entre tantas achei a certa e me deparei com Manu sendo abraçada pelo es-po-so e por Dani.

-- Mas o que poderia ter acontecido Manu? – vi Antonio perguntando.
-- Não sei. De repente Dani falou alguma coisa que ela não tenha gostado. – respondeu entre soluços. 

-- Ela não falou nada. Não fez nada. – fui obrigada a defender minha amada.

-- Então o que aconteceu? – Manu se dirigiu a mim.

Sem saber o que responder, olhei fixamente pra Dani, que me olhava com muito medo, e menti.

-- Nada apenas Dani mostrou onde guardava os lençóis e saiu, e eu fiquei lembrando a época em que morava aqui nesse bairro com minha família, sabe como é, fiquei muitos anos fora, acabei perdendo meu pai, minha mãe percorreu o mundo atrás de um novo amor, e vi o tamanho da solidão que minha vida se transformou. Apenas isso Emmanuelle. Nada de grave que fizesse com que você saísse do quarto fazendo este escândalo.

-- Ela não fez escândalo Claudia, apenas não está em um bom dia.

-- Ok! Posso até concordar com você Antonio. Agora venha Manu para o quarto. Deixemos os dois descansar. – Disse estendendo minha mão em direção a ela.

Antonio deu um beijo em sua testa e desejou uma boa noite a nós duas.
-- Desculpa Dani. – Falou Manu sendo carregada pela mão em direção ao quarto em que dormiríamos.

Sem dizer uma única palavra deitou-se na cama me chamou ao seu lado e como uma criança aninhou-se no meu peito. Ficando assim por alguns minutos, sussurrou entro soluços: “Desculpa”.

-- Não é pra mim que precisas pedir e sim pra tua amiga.

-- A ela já pedi. Mas também o que querias que eu pensasse? Saio daqui estavas bem quando volto estavas aninhada na cama chorando e Dani não estava mais contigo.

-- Entendo tua reação Manu, mas não agiria dessa maneira.

-- É que gostei de ti. E vendo-a naquele estado extrapolei.

-- ok agora quem precisa de um banho sou eu. Ficarás bem?

-- Sim. Espero por ti.

Levantei e tentei ficar o máximo possível no banho. E consegui, quando sai com cabelo molhado e usando apenas uma camiseta que encontrei no banheiro fui pra cama. Onde Manu dormia feito um anjo.

Ali deitada ao lado dela com aquela camiseta que não era da minha comerciante, pois não tinha o cheiro dela, fiquei pensando em tudo o que havia acontecido e cheguei à conclusão de que o que eu tinha não era amor e sim carência, inveja... Isso mesmo estava invejando a relação que Dani tinha com o marido, era uma relação assim que eu queria pra mim, queria uma amiga, uma companheira, e mesmo sem saber, quando eu a vi a primeira vez, percebi que essa é a relação que Dani sabe proporcionar.

Relação esta que eu não sabia o que era. Todas as mulheres com as quais me relacionei machucaram de alguma forma. Incluindo minha última relação que foi com Sandra, uma mulher que jurava amor eterno, me levou pra fora do Brasil e lá depois de um mês e meio me disse em inglês que tinha se apaixonado por outra mulher, me deixando sem ter onde morar, sem dinheiro em um país estranho. Mas tudo bem soube me virar. Só não soube como me relacionar com alguém, algo que só fui fazer no Brasil: envolvi-me emocionalmente com Dani, e sexualmente com Manu, que também está à procura da mesma coisa que eu.

E assim como sentia que Dani não queria nada comigo, eu também não queria nada de sério com Manu.

Perdida em meus pensamentos, nas minhas certezas e incertezas acabei adormecendo.

***

Acordei sentindo um calor imenso, era o corpo de Manu entrelaçado ao meu que pesava e me deixava desconfortável. Levantei pensando de naquele momento pegar o carro e ir pra casa desci as escadas onde encontrei uma simpática senhora tomando um café e fumando um cigarro.

-- Ola bom dia! – lhe falei meio sem jeito.

-- Ola minha filha. Dormiu bem? – falou a desconhecida, mas que não era estranha.

-- Sim como uma pedra. – respondi retribuindo seu sorriso.

-- Sente-se comigo tome um café.

-- Proposta irrecusável – peguei uma xícara que estava ao lado e me servi.

-- És amiga de Dani? Formaste com ela?

-- Não e não. – falei rindo – Não sou amiga de Dani, na verdade mal a conheço e não me formei com ela, quem se formou com ela foi a Manu.

-- Manu a Emmanuelle?

-- Sim.

-- Aquela safada está aqui? – brincou.

-- Sim, dormindo em um dos quartos.

-- Aposto que é o ultimo da direita.
-- Este mesmo. Como a senhora sabe?

-- Ela quando vem exige aquele. Diz que é mais arejado. Na verdade tenta enganar, no fundo eu sei que é o mais distante da casa, daí ela pode fazer os barulhos dela sem ser percebida. – falou entre risos.

-- Nossa. – falei meio sem jeito. E ao mesmo tempo sentindo meu rosto aumentar a temperatura consideravelmente.

-- Tu és a namorada dela? – perguntou naturalmente.

-- Namorada? – falei engasgando – não sei completei.

-- Ah já sei és a nova ficante. Seja bem vinda minha filha, Manu é meio doida, mas amo aquela moleca. - comentou soando uma gargalhada –- acho que até vou fazer uma lasanha de brócolis que ela ama. Aproveitar que o povo esta todo dormindo ninguém me dará palpite. – completou.

-- Aonde vais? – perguntou me vendo pegar um cigarro e tentar ir ao jardim pra fumar.

-- Fumar ali fora.

-- Capaz fuma aqui.

-- Mas Dani nem o marido fumam. – respondi meio sem jeito.

-- Mas não se importam. Eu fumo por toda a casa eles nunca se atreveram a me dizer nada.

-- Mas fico sem jeito, a senhora os conhece eu sou um piolho pegado apenas.

-- Sim os conheço há muitos anos, Toninho mesmo o vi nascer. Ande acenda o cigarro aqui e vamos conversar um pouco! – mandou. Claro que eu obedeci.  –- Eu era empregada da mãe dele, e Dani a conheci desde que ela conheceu Toninho, isso há quase 20 anos atrás. E desde que eles casaram trabalho com eles, mas Dani não me apresenta como empregada, minha verdadeira função, ela me chama de secretária, ou seja, me deu espaço, agora eu penso que mando e ela finge que obedece. – mais uma gargalhada pra agradar minha manhã.

-- Nossa que legal. Mas não a vi ontem aqui. – comentei

-- Não. Estava esperando meu filho. Como ele não apareceu vim pra ca, aqui com certeza é sempre mais divertido do que eu ficar na cidade sozinha.

-- Hum a senhora mora sozinha?

-- Não. Moro na casa deles. Acho que o piolho pegado aqui sou eu. Se eles forem pra qualquer canto do mundo terão que me levar. E ai que não me levem, bato na bunda dos dois. – disse levantando –-  fique a vontade, vou dar uma jeito de ver o que tem pra fazer de almoço, mas a lasanha de brócolis com certeza sai.

-- Como estão todos dormindo, estava pensando em deixar um bilhete e ir pra casa, moro com minha avó e ela deve estar precisando de mim.

-- Dani não está dormindo. Está rebolando na piscina.

Ouvindo isso meu coração disparou. Fazendo com que eu levantasse de imediato e fosse ate a porta observá-la. E que cena maravilhosa presenciei: Minha deusa dentro da água brincando como uma criança.

-- Bom Dia! – disse assim que ela percebeu minha presença minutos depois. -- Faz tempo que estás ai?

-- O suficiente para contar umas dez piruetas suas ai dentro dessa água. – falei sorrindo –- Você parece uma criança.

-- Mas não sou. – Respondeu com cara fechada, (nossa até assim ela fica linda), saiu da piscina e pude ver tudo o que eu queria que fosse meu. Pele queimada, coberta por um belo maio preto com um decote imenso.

-- Me alcança a toalha? 

-- Por quê? Você está linda com esse maiô. - disse pegando uma toalha branca que estava atrás de mim.

-- Por Favor! – suplicou.

-- OK! – entreguei a toalha que infelizmente cobriu seu corpo.

-- Meninas servirei um café aqui na piscina para vocês. - gritou a secretária. 

-- Não precisa Arlete. Sirva apenas para a nossa convidada.

-- Precisa sim. Sei que adoras um belo café da manhã, nunca recusaste o pãozinho de cerveja. Só preciso saber o que está acontecendo que fez a tua fome matinal desaparecer Dani. E hoje eu descubro. - falou antes de uma gargalhada, já de dentro da cozinha.

-- Nossa já evoluí. Agora sou convidada. – Constatei com um sorriso no rosto

-- Sim amiga de uma amiga convidada também é convidada.

-- Na verdade sabes que não sou amiga da Manu, somos namoradas. – sentei-me em sua frente.

-- Então aja como tal.

-- Estou agindo como namorada, não como apaixonada. – falei olhando em seus olhos.     

-- E tem diferença? – me perguntou parando de passar bronzeador nas pernas me encarando seriamente esperando minha resposta.

-- Meninas o café está servido. – anunciou a secretária, me salvando daquela pergunta que eu não saberia responder se não afirmasse que namorava Manu, mas que estava apaixonada por ela.

-- Oba café. Acordo com uma fome imensa – fui em direção a mesa tentando desconversar -- isso se você me permitir.  – parei.

-- Fique a vontade. 

Ouvindo a resposta dela fui em direção a mesa e pensei se eu ficar a vontade não iria comer, iria beijar, amar...

Analisando ela alisar sua pele passando aquele creme desejando no meu intimo alisar cada pedacinho daquela pele fiquei admirando-a.

-- Tu não vais comer? – perguntou vindo em minha direção.
 -- Estou esperando por você. – indiquei uma cadeira vaga ao meu lado. (se ela quisesse poderia sentar no meu colo)

-- Nossa quanta honra. – respondeu. – mal sabe ela que ta com a bola toda.

-- É que na verdade não gosto de comer sozinha. 

-- Hummm... E por que não chamaste a Manu?

-- Falei que não gosto de tomar café sozinha, mas gosto de comer em silêncio. 

-- Isso é uma indireta para que eu pare de falar?

-- Não jamais. Não disse que não gosto de tomar café conversando, disse apenas que gosto do silêncio.

-- Acho que conseguiste me deixar confusa. (expressou um sorriso que me tirou o fôlego)

-- Ora Dani, pense, Manu é uma linda mulher, mas fala um pouco além da conta. E tem o poder de não me deixar falar. 

-- Mas foi tu quem a escolheu como namorada. - disse tomando mais um pouco de suco.

-- Não a escolhi.

-- Ué, mas vocês não namoram?

-- Não. Nem podemos nos conhecemos na sexta feira, disse a ela que voltaria pra Rio Grande, já que minha família é daqui e moro aqui, então ela me pediu uma carona, e me convidou para vir ao encontro com ela dos colegas da faculdade como eu não tinha nada pra fazer, liguei pra vó Maria que me disse que não precisaria de mim no final de semana então aceitei o convite. 

-- E por que não podem namorar?

-- Ah Dani, nos conhecemos na sexta, passamos uma noite juntas, apenas isso.
-- Mas não é isso que todos aqui pensam.

-- Sei disso, mas quando fui apresentada fiquei sem graça em desmentir e percebi que ela gostou da idéia.

-- Mas Claudia, Manu é muito sensível. Cuidado para não machucá-la.

-- Machucá-la? Dani ela que está achando caminho para se machucar, jamais confirmei que namoraríamos, sequer tenho o número de telefone dela. – mal Dani sabe que até ontem pensei que o nome dela fosse Manuela. 

-- Meninas olhem só o que eu fiz! - chegou Maria com um prato de pão de queijo quente. 

-- Nossa que delicia! – amo pão de queijo, pela manha então perfeito.

-- Lete não precisava. O café está uma delicia e esse sanduiche também perfeito. – comentou Dani.

-- Mas confesse Dani, um pão de queijo quentinho é tudo de bom. – falei já com um nas mãos me cuidando pra não me queimar.

-- Há quem goste. – falou levantando uma única sobrancelha.

-- Realmente há quem goste de muitas coisas e dizem que não gostam só pelo medo de experimentar.

Com este meu comentário Daniela ficou quieta, não expressou nenhuma reação, e lembrando o beijo na noite anterior fiquei observando-a enquanto comia aquele pão que estava uma delicia.

-- Dani, gostaria de pedir desculpas por ontem, - tomei a liberdade de tocar no assunto. –- realmente não sei o que me deu. – completei

Mas antes que ela pudesse dizer qualquer coisa excelentíssimo es-po-so chegou, muito simpático, beijou a mulher que eu gostaria de beijar novamente em sorridente me cumprimentou.

Sem reação e querendo sumir dali apenas balancei a cabeça em direção a ele.

-- Dormiu bem? – me pergunta

-- Sim como uma pedra. - menti com um sorriso falso no rosto.

-- Que bom. Embora que aquele colchão esteja um pouco estranho, pretendo trocá-lo ainda na próxima semana, assim quando vieres dormirás com mais tranqüilidade. “nessa casa sem estar ao lado de Dani, com certeza isso não irá acontecer” 

-- Com certeza, mas não se preocupe realmente a cama está uma delícia, percebe-se por Manu que não desgrudou dela até agora. 

-- Manu? Ela dorme até no chão e podes ter certeza de que ela antes das duas não levanta. – comentou ele sorrindo. 

-- Bem verdade Claudia, Manu ama uma cama. E não levantará tão cedo. – Dani se dirigiu a mim em frente ao marido. 

-- Bom saber. Assim poderei usar minhas manhãs para uma boa caminhada, como amo fazer. 

-- Ah tu praticas caminhada? - ele pergunta querendo puxar assunto. 

-- Amo todo tipo de esportes, joguei futebol por um bom tempo, mas depois comecei a sentir meu joelho daí fui obrigada a parar, depois freqüentei muito tempo academia, e hoje amo caminhar na central.

-- Nossa cansei só em pensar. – Dani sorriu demonstrando estar bem descontraída, diferente de mim.

-- Amor, estás precisando de uma bela caminhada, podes combinar com ela. – disse ele.

Com certeza adoraria caminhar com ela. E de preferência em horário que ele tivesse na china.

-- Nossa Toni estás me chamando de gorda? Tá certo que estou, mas não precisa pisar né? – falou magoada com ele. Me deu uma vontade de falar, que ela não é gorda, ela é gostosa, autentica mulher brasileira, tudo no lugar. Mas ele falou:
-- Capaz meu amor, estou apenas dizendo que fazer exercícios nunca é demais. E sem contar que estás muito gostosa, visto pela noite de ontem - beijando seu rosto.

-- Se vocês me dão licença, vou tentar mudar os hábitos de Manu. – já levantei e sai sem coragem de ouvir mais um comentário dele sobre a noite que tiveram. Poxa pisa, mas não humilha. Sei que os dois estão juntos, mas para que ficar esfregando na minha cara que a mulher é uma delicia?

Entrei em casa, fui ao banheiro, com uma raiva dentro de mim imensa, escovei meus dentes para só então subir ate onde estava Manu. O quarto estava um gelo, ela coberta ate a cabeça com um edredom, e confesso que naquele momento a vontade que eu tinha era de pegar a chave e ir embora, mas quando procurava minhas coisas, ela acordou.

-- Amor?

-- Oi Manu.

-- O que tu ta fazendo?

-- Organizando minha bolsa.

-- Por quê?

-- Quero ir embora.

-- Mas como assim ir embora? – disse sentando na cama deixando a mostra seu corpo.

-- Melhor, preciso ver como está minha avó.

-- Hum, ela é muito velha?

Velha. Não fala assim da minha vó Maria. Minha véinha, ela é idosa sim, mas da um banho em muita mulher nova.

-- Não.

-- Pois então fica comigo, vem fazer um amor gostoso vem? – disse descobrindo ainda mais o corpo – depois nós iremos ver tua avó.
Nós iremos? Jamais. Eu irei.

-- Vens agora ou queres ir primeiro ver a tua avó?

Melhor eu ir agora. Pode ser que assim ela se esqueça de ver minha véinha. E fazendo de tudo para que ela esqueça a idéia de conhecer minha família, fui pra cama e em cada carinho feito nela eu pensava unicamente na minha Dani.

****

Descemos pro almoço, como sempre Manu irradiava sorrisos, simpatia e recebia elogios de todos, tanto por sua beleza, sua simpatia...

Dani estava radiante, tinha tirado o belo maiô e estava usando um short de linho bege com uma bela blusa marrom, seus cabelos estavam presos em um coque feito com uma caneta, pequenas argolas emolduravam seu rosto, uma gargantilha delineava seu pescoço, nos pulsos pulseiras que com certeza eram de ouro combinando com um anel de pedra na mão direita e com a imensa aliança na esquerda, sinceramente a única coisa que enfeava aquela linda mulher.

Na mesa muitas variedades de saladas, lasanha de brócolis, carreteiro de charque, frango assado e carne de churrasco, sem contar bebida a rodo, muita cerveja e refrigerante por todos os lados.

Dani conversava com todos, e eu como sempre em um papo cerrado com Jonas, que tinha achado a perfeita hora de testar seu inglês. Meus olhares sempre procuravam os dela, e em todas as vezes que se encontravam um arrepio percorria meu corpo.

Manu me deixou sozinha por um bom tempo e eu sentada em uma espreguiçadeira analisava a tudo e todos com uma única vontade: ir embora dali o quanto antes. Mas como dizer isso a Emmanuelle?

--Linda ela né? – frase que me assustou, pois veio de Antonio que despercebido sentou-se ao meu lado e viu que não tirava os olhos da mulher dele.

-- Realmente Manu é linda. – falei tentando disfarçar.

-- Realmente Manu é linda. – repetiu minha frase – mas me refiro a Dani.
-- Ah sim, Daniela é uma bela mulher. Parabéns! – “o que mais eu poderia dizer?”

-- Sabe Claudia. Danielle – realçou o final do nome pra realmente mostrar que eu sequer sabia o nome dela – e eu nos conhecemos ainda éramos duas crianças e estamos juntos até hoje. Já passamos por muitas coisas, lutamos muito para adquirirmos tudo o que temos, tanto bens materiais como a estabilidade da nossa relação. Por isso não será qualquer coisa ou qualquer pessoa que ira nos abalar.

O que ele queria dizer com isso? O que eu poderia dizer?

-- Nossa que legal. – falei olhando pra Manu.

-- Por isso que eu só tenho uma coisa pra dizer, invista na tua relação com a Manu. E deixe a minha relação da maneira que está. – rapidamente se levantou e saiu. Eu fiquei com maior cara de boba. Sem saber o que pensar como agir.

Manu me olha e faz um sinal para que eu entrasse na casa atrás dela. Seguindo seus passos fui ate o quarto em que estávamos dormindo e mais uma vez Manu queria meu toque. Instintivamente fiz o que ela pedia em silêncio.

Com ela repousando em meu colo após o sexo, pensei em por que Danielle tinha aparecido em minha vida. Se não fosse por ela naquele momento estaria eu encantada por Manu, que alem de linda era inteligente, simpática, amiga, sorridente, enfim... Acho que tudo que eu estava procurando naquele momento.

-- Manu acho que preciso ir embora. – falei em tom suave, acarinhando seu braço.

-- Tudo bem precisamos. Me da uma carona?

-- Até onde? – perguntei com um medo absurdo de ela me pedir pra ir até a cidade vizinha.

-- Até minha avó. Aqui mesmo no bairro.  Viu eu também tenho uma avó. – falou sorrindo.
Aliviada por não precisar pegar e estrada, começamos arrumando a cama e nossas coisas que estavam espalhadas no quarto. Quando íamos descer para nos despedir, Manu abre uma porta ao final do corredor que dava pra uma sala imensa, cheia de estofados, uma tela, acho que projetava filmes. Nas paredes quadros de fotos deles, anos e anos de convivência estampados em lindas molduras presas na parede.

Encantada e ao mesmo tempo com uma angustia dentro de mim fui chamada atenção por Manu, que estava na varanda imensa que dava para o jardim, quando fui ao seu encontro vi uma bela vista, o imenso quintal da casa, a piscina no lado direito churrasqueira no esquerdo a lavanderia no fundo, e após o muro uma quadra de tênis, mais no fundo um chalé de madeira pintado de verniz cheio de flores nas janelas. Ninguém tinha olhado pra cima. Dani jogava bola na piscina, e antes que eu pudesse observar mais alguma coisa Manu me abraça e me da um delicioso beijo. Alisa meu corpo me deixando com vergonha de tal situação, mas retribui seu beijo não com o mesmo fervor. De repente algumas pessoas começaram a gritar algo lá de baixo sem decifrar o que diziam paramos de nos beijar e Manu apenas ficou sorrindo. E eu fiquei apenas olhando Dani, que distraidamente deixou a bola cair ao seu lado e me encarava como se pudesse me matar.

Manu e eu ficamos mais um pouco ali em cima, e descemos já com nossas bagagens. O pessoal vendo que iríamos embora foram dando jeito de fazer o mesmo.

Dani e Antonio haviam sumido. E com minha pressa de ir embora decidi procurá-los pela casa para poder me despedir.

Ao passar por um corredor vi uma porta entreaberta e pude ouvir os dois. Não querendo ouvir atrás da porta, mas ao mesmo tempo curiosa pra saber do que se tratava fiquei ali parada ouvindo a discussão deles.

- Antonio, eu não sei por quem me tomas, mas não penses tu que conseguirá me descontrolar, mentes percebendo um clima estranho entre uma mulher e eu. Onde já se viu? Sou uma mulher, casada contigo, amo somente a ti, não sinto interesse em outra mulher por que não sou sapatão como estás pensando. – berrava Dani.
-- Ah não tem clima estranho? Então me explica aquele olhar pra ela hoje da piscina. Me explica o clima de ontem aquela churumela da Manu. Já sei pegou um clima entre vocês foi isso não foi?
- Larga meu braço Toni.
- Desculpa

Ouvindo passos em direção a porta, abri a porta que estava fechada ao lado e entrei, era outro quarto, ali fiquei espiando até Antonio dizer mais algumas palavras indecifráveis e sair corredor a fora.

Passados alguns minutos sem que Dani saísse da sala em que conversavam tomei a liberdade de ir ao encontro dela. Vendo-a olhando fixamente a janela não dei uma palavra. Até ela perceber minha presença.

-- Oi. – falei quebrando o silêncio -- problemas? – perguntei.

-- Não. – falou seriamente.

-- OK! – respondi sem saber o que dizer.              

-- Vais ficar aí parada na porta me olhando? – rudemente me perguntou.

-- Não. Vim aqui apenas me despedir de vocês. Manu e eu estamos indo embora. 

-- Tudo bem. Vamos pro quintal. – passando por mim.

-- Espera! - disse segurando seu braço.  – olhando em seus olhos.

-- O que queres? – secamente me encarando. 

-- Apenas olhar você. - disse indo com meu rosto em direção ao seu.

-- Meninas vocês estão aqui! - Nos distraiu a secretaria.

-- Estamos indo pro pátio Arlete  - falei.

-- Melhor mesmo.  

Arlete me olhava com raiva fazendo com que eu soltasse seu braço e saí praticamente correndo, passando por Manu, só disse a ela que a esperava no carro.

Em seguida ela entrou no carro dei a partida e segui reto, Manu indicou o caminho ate a casa dela e a muito custo consegui me desvencilhar sem entrar na casa da família. Não estava no clima de conhecer ninguém.

Na estrada aumentei o som do carro no máximo e ouvindo NOA - Eye In The Sky lembrando o meu passado acelerei o máximo que pude, as palavras de Sandra me dizendo que não queria mais e na seqüência as palavras de Dani: “Sou uma mulher, casada contigo, amo somente a ti, não sinto interesse em outra mulher por que não sou sapatão como estás pensando.

Lágrimas escorriam pelo meu rosto, as palavras de Dani martelavam em minha cabeça o fato dela dizer que ama o marido, que não é sapatão, que não tem interesse em outra mulher soavam como um sino badalando às 12 horas.

SAPATONA, SAPATONA... Quer saber de uma coisa sou sim uma SAPATONA muito bem assumida, amo mulheres não dependo de ninguém vivo a minha vida de boa, não mexo com ninguém e quero ser feliz. Se sou feliz assim... Serei assim uma SAPATONA.

Nisso as lágrimas já secaram e a musica já tinha mudado era Queen - I Want to Break Free, musica esta que cantei aos berros feito uma louca sozinha com os vidros do carro abertos. Nesse clima mais leve cheguei em casa. Vó Maria me esperava com jantar pronto. Comemos, conversamos e dormimos. Por incrível que pareça não comentei nada de Dani, nem onde tinha passado o final de semana. Minha veia sempre foi muito discreta, mas sei que posso contar com ela.

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