Cheguei em casa, sorrindo feito boba, encontrei com Isa e Jackson
dormindo na sala, e nitidamente percebi que eles haviam transado. Mas sem fazer
barulho larguei a chave da moto e o capacete em cima da mesa da cozinha e subi
para o meu quarto. Tomei um delicioso banho e fiquei lembrando cada momento
daquela noite. Os meninos eram incríveis, engraçadíssimos, e tinham gostado de
mim,...
Pensando nela acabei adormecendo mais tarde que o permitido.
Acordei em cima da hora para o trabalho e mesmo sem banho corri pra
escola, mas antes de entrar em sala liguei pra uma floricultura e encomendei um
ramalhete de flores, girassóis, pra ser mais exata. Acho uma bela flor e
expressa todo o brilho que ela emite.
Ou seja, ela é meu sol e eu a seguirei em todos os momentos do dia.
Claro diferentemente da flor esperarei a permissão dela.
O cartão foi singelo, mas verdadeiro:
“Eu te imaginei, você existiu, agora só precisa acontecer.*”
Um delicioso beijo de Bom Dia!
CC
·
Frase extraída
da internet
Realmente havia sonhado
com ela desde o primeiro momento em que a vi. E o que eu mais queria realmente
era que nosso encontro acontecesse pra valer. Sem pensar que ela era casada,
isso eu sempre soube, mas fazer o que?
A resposta não veio
durante toda a manha. E naquela quinta feira teria aula às 18h, teria apenas
meia hora para o almoço. Mas apesar do cansaço pela noite mal dormida, meu dia
foi tranqüilo. Como sempre alunos calmos e interessados. As horas passavam e
não tinha nenhuma resposta dela, nenhuma chamada não atendida ou sequer uma
mensagem.
-- Professora Claudia –
chamou a coordenadora da escola.
-- Pois não Clarisse.
-- Teus dois alunos das
15 horas ligaram agora e não poderão comparecer a aula hoje. – informou.
-- Hum os de agora eram
apenas dois?
-- Sim filhos do diretor
do hospital Santa Leopoldina eles querem aula individual.
-- Hum entendi. Devem
pagar bem. – brinquei sorrindo.
-- E como! Pagam
praticamente o meu salário. – piscando os olhos como se estivesse nervosa –
aceita tomar um café comigo? – convidou.
-- Um café? – aceitei afinal estava com um
sono absurdo.
-- Sim aqui na esquina.
– olhando profundo demais em meus olhos.
Será que estou sendo
paquerada pela minha colega de trabalho? Até que ela não é de se jogar fora,
(morena, alta, magra cabelos curtos, olhos negros como a noite e delicadamente
maquiada.), mas com certeza só tenho olhos pra minha Dani.
No caminho da
lanchonete Clarisse falava o tempo inteiro, simpática sorria o assunto era
sobre os alunos que eu ainda não os conhecia.
-- Dois cafés, por favor.
– pediu a garçonete.
-- Ah e mais um salgado
de frango. – completei o pedido já sentindo meu estômago reclamar de fome.
-- Fome Claudia? – mais
uma vez seu olhar me atormentava.
-- Sim. Saí de casa em
cima da hora não tomei café e no meio dia comi apenas umas bolachas água e sal.
– sorri pensando em o que responder. Não
estou com fome, quero apenas comer pra encher a boca e te mandar longe caso
continues me olhando dessa maneira.
-- Eu almocei bem, mas
acompanho seu lanche com um café. – retribuiu meu sorriso –- Mas então Claudia
está aqui na cidade desde quando?
-- Pouquíssimos dias.
-- E tens amigos por
aqui?
-- Na verdade, não. –
vivo apenas com a família.
-- E não tem namorada?
Desculpa namorado? – indagou se insinuando.
-- Não. Não tenho
namorada. – salientando o gênero.
-- Hum e o que fazes
para se divertir? Obrigada. – Agradeceu a garçonete com os nossos cafés e o meu
lanche.
-- Obrigada – também
agradeci –- e aqui não tenho feito nada demais, apenas cuidando da minha avó
que está com a mão e o braço machucado.
-- Hum e tem algum
compromisso pra hoje à noite? – diretamente perguntou.
-- Hoje tenho que ficar
com a Vó Maria, - menti, mas também como
dizer que queria encontrar com Dani, se ela até então não tinha agradecido
minhas flores.
-- Pena, poderias ir ao
cinema com meus amigos e eu.
-- Realmente, mas que
filme vocês irão ver?
-- Ainda não sei. Na
verdade nunca sabemos, sempre chegamos do nada e na hora assistimos o que
achamos mais interessante.
-- Legal.
-- Realmente muito bom.
Somos seis mulheres, todas solteiras e amigas desde a época da escola. Encontramos-nos
a cada quinze dias. Ou na quarta ou na quinta feira.
-- Nossa! Muito bom
mesmo. - o que mais dizer?
-- Demais. Mas assim
agora que sabes dos nossos encontros poderás fazer parte da nossa turma.
-- Ah com certeza
adoraria.
-- Então, olhando o teu
curriculum vi que és formada em letras pela UFRGS. E moraste na Nova Zelândia.
-- Isso mesmo.
-- E o que te levou a
tão longe?
-- Facilidade em entrar
no país. Antes tentamos Canadá, mas a burocracia é muito grande, daí não
conseguimos.
-- Ah. Foste
acompanhada pra lá?
-- Sim com minha
ex-namorada.
-- Nossa e terminaram
tem muito tempo?
-- Assim que chegamos
lá.
-- Complicada situação.
Eu também saí de uma relação há pouco tempo. Mas e vocês namoraram muito tempo?
-- Seis anos.
-- A minha também durou
quase isso, mas ela não entende o meu trabalho. Diz que eu não preciso me
envolver tanto com a escola, e cobrava demais, além do ciúme que era doentio.
-- Realmente ciúme
acaba com tudo.
Ali ficamos
conversando. Falando das nossas ex. Clarisse se mostrou uma pessoa muito legal.
Simpatia em pessoa, vários convites me foram feitos para participar de seu
grupo de amigos. Muitos olhares desconcertantes, mas naquele momento diferente
dos outros estava me sentindo estranha. Não queria que minha colega de trabalho
misturasse as coisas. Não por não achá-la interessante, mas por ser minha
colega e também por estar afim de Dani.
Ainda bem que o lanche
não durou muito tempo. Rapidamente voltamos para o curso.
Quando abri meu armário
vi a mensagem de Dani.
“Acontecendo está, só precisamos fazer valer à pena”
Boa Tarde
DC
Meu coração saia pela
boca. Pena que não teria tempo pra responder. Tinha aula naquele momento com
uma turma de dez alunos. Mas com certeza meu restante de tarde foi incrível.
Saí do curso por volta
das 18h: 30min.
-- Oi Vó.
-- Oi Clau. Como ta
minha filha?
-- Eu muito bem e a
senhora também pelo jeito. Já anda saracoteando pela cozinha. – comentei
colocando um delicioso pedaço de empadão de frango a esquentar no micro.
-- Realmente minha
filha estou muito bem. Quase não sinto dor. Vai querer café? – perguntou
enquanto se servia de uma dose.
-- Não obrigada,
preciso engolir isso rápido e sair.
-- Vais onde?
Vendo-a degustando sua
bebida preferida sentada a mesa me olhando não tive coragem de mentir pra ela.
-- Vou na Dani Vó.
-- Dani? Hummm . Sei. E
o que está acontecendo entre vocês?
-- Vó sei que ela é
casada, mas ela me encanta de uma maneira que não sei explicar. – tirando o
lanche do micro enchendo um imenso copo de refrigerante sentei em sua frente.
-- Filha tu sabe onde
ta te metendo. Dani é casada, considerada rica. Não é como nós.
-- Mas Vó me admiro a
senhora me dizendo essas coisas. A senhora se dá tão bem com ela.
-- Sim minha filha –
concordou pegando um pedaço meu empadão – a Vó adora a Dani, mas tu e eu
sabemos que ela não é mulher pra ti. Ela tem a família dela, os amigos dela,
ela só vai te fazer sofrer.
-- Entendo a tua
preocupação Vó, mas independe quem goste de homem ou de mulher está sujeito a
acontecer essas coisas.
-- Isso é verdade. É
que a Vó não acredita que Dani ira largar o marido pra ficar contigo.
-- Também não acredito,
apesar de que sempre quando entramos em uma relação pensamos que será eterna e
única.
-- Pois então filha,
saia disso enquanto é tempo. Não se machuque vivendo algo que poderá não dar
certo.
-- Mas Vó com certeza
vai ser muito melhor eu amanhã me arrepender de ter vivido do que passar os
dias inteiros na dúvida. Preciso viver isso. Eu quero viver isso, embora que
venha a sofrer depois.
-- Tudo bem. E quais
são os planos para hoje?
-- Não sei. Apenas vou
a casa dela. Mas antes vou passar em uma cantina comprar um vinho ...
-- Quer preparar o
terreno né? – brincou.
-- Ao menos tentar. –
falei acabando meu lanche e me organizando para subir pro quarto.
-- Claudia. Dá uma
olhada no bar lá em cima. Pega um vinho de lá.
-- OK. – subi as
escadas correndo para me arrumar para o tão sonhado encontro.
***
Delicioso banho, uma
roupa básica e corre pro chumbrega, meu potente desde que cheguei ao Brasil,
vira a chave uma, duas, três quatro vezes e nada do chumbrega funcionar.
-- Saco. Foi pifar logo
agora chumbrega? – indignada batia com as mãos no volante.
Solução foi deixar o
carro ali mesmo e pelas ruas do centro da cidade procurar um táxi.
-- É nessa casa. –
mostrei ao motorista. -- Quanto deu? – percebendo o taxímetro quebrado.
-- R$ 50.00 – poxa a féria
da noite ele ganhou só em uma corrida. – pensei apitando na campainha da casa
de Dani.
-- Oi. – abriu a porta sorrindo indicando o caminho pra eu entrar.
Sem consegui falar nada segui o caminho indicado pela sua mão e
vendo a porta fechando atrás de mim juntei meus lábios aos dela e suavemente
degustei aquele momento. Ouvindo um delicado: “seja bem vinda!” encarando seus
olhos agradeci sorrindo e um arrepio estava percorrendo meu corpo.
-- Entre. - Saiu caminhando na frente em direção a sala. Nesse
momento impossível não admirar sua elegância em vestir um tamanco acho que
salto 20, (se é que existe), uma saia na altura dos joelhos justa azul
turquesa, e uma camisa branca manga 3/4, cabelo preso em um rabo de cavalo no
meio da cabeça, argolas pequenas emoldurando seu rosto.
- Trouxe um vinho pra gente. – falei abrindo a mochila em que
carregava. -- Pena que está em
temperatura ambiente. O bom é ele gelado. – ao
menos foi o que Vó disse.
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