-- Olá Clau. – cumprimentou Clarisse assim que me viu entrar no
curso.
-- Olá Bom Dia! Clarisse. – sorrindo a cumprimentei.
-- Nossa que felicidade é essa? Viu passarinho verde foi?
-- Melhor. Muito melhor Clarisse. Ai sem entrar em maiores detalhes,
mas posso te dizer uma coisa: Estou apaixonada. Minha noite foi incrível.
Clarisse, Clarisse....
-- Mo...
-- Oi?
-- Pode me chamar de MOA.
-- Moa?
-- É meu apelido.
-- Entendi “mo”. – me assustei, pensei que ela quisesse que a
chamasse de amor.
-- Não. – rindo discordou – mas se quiseres me chamar assim não
ficaria chateada. – como uma águia olhando pra sua caça ela me olhava.
Sem saber o que dizer, apenas sorri e tentei desconversar.
-- Bem Clarisse – enfatizei seu nome –- estou indo para minha sala.
-- Ok Clau. Já tem dois de seus alunos esperando.
-- Mas essa turma tem quantos?
-- Doze.
-- Ok. – sai e antes de começar a aula me preparei.
As horas naquela manhã voaram quando me dei por conta quando
Clarisse bateu na porta.
-- Oi Clarisse.
-- Oi. Desculpe interromper a aula, mas quero saber onde pretendes
almoçar. Estou saindo agora, se aceitares companhia te aguardo.
-- Ah, pode ser.
Sorrindo fechou a porta e finalizei minha aula.
Quando cheguei à recepção após liberar os alunos, um susto ao ver a
morena me esperando.
-- Dani? Bom vê-la aqui. – falei quase sem acreditar na miragem a
minha frente.
-- Oi Clau. Vim humildemente te convidar para almoçar comigo.
-- Claro! Adoraria o convite, mas tinha combinado de almoçar com
Clarisse. – falei engasgando nas palavras.
-- Capaz guria. Deixa de ser boba! Vá almoçar sim com tua amiga
outro dia almoçaremos juntas. – falou Clarisse me deixando aliviada.
-- Então Vamos? – Dani estendendo a mão em minha direção.
Segurei sua mão e a segui.
-- Onde vamos almoçar? – me atrevi a perguntar.
-- Surpresa! – disse abrindo a porta do carona para que eu entrasse.
Sem se importar com nada nem com ninguém ligou o carro e enquanto
punha o cinto me beijou suavemente e sorriu.
Andamos por alguns quarteirões, Dani estava tranqüila, sorridente e
mesmo analisando o trânsito por momentos me olhava e sorria.
-- Tem certeza que não vais me dizer onde vamos? – me atrevi a
perguntar.
-- Mas tu é sempre curiosa assim ou estás com medo de um seqüestro?
– retribuiu minha pergunta sorrindo.
-- Curiosa sempre fui e com medo de um seqüestro jamais. Bem que
poderias realmente me seqüestrar. Juro que não iria pagar o meu resgate tão
cedo.
-- Ah é? Então queres ser seqüestrada Senhora Claudia?
-- Por você? Sempre!
Dani dirigia atentamente. E eu apenas analisava suas feições,
tranqüila e sorridente exatamente como sonhei no primeiro dia em que a vi.
-- Chegamos. Senhora curiosa! – disse estacionando o carro em frente
ao Myrtô, nada menos que o restaurante mais elegante da cidade. E sem dúvida o
mais caro.
-- Aqui? Mas nem estou vestida adequadamente para entrar nesse
restaurante Dani. – falei com vergonha de meu pobre jeans surrado, camiseta da
escola e um tênis colorido.
-- Realmente para onde eu queria mesmo te levar estás com roupa
demais. Mas como não temos tempo, me contento em apenas almoçar e te deixar sã
e salva na porta da escola às 13h: 20min. – disse me dando um beijo rápido e
abrindo a porta do carro.
Imitando seu gesto, segui. Dani com uma pose incrível, muito bem
vestida, óculos escuros, bolsa no antebraço, séria como uma estátua entregou a
chave para o manobrista e com toda sua imponência entra no restaurante.
-- Joaquim, bom vê-lo. – sorrindo cumprimentou o pingüim
que estava feito estátua na porta.
-- Dona Danielle. Por favor, me acompanhe. Sua mesa já está
reservada.
-- Obrigada. – respondeu seguindo-o e eu atrás doida de vergonha.
E para a minha vergonha ainda ser maior a mesa era a última, bem ao
lado da janela. Visão sem dúvida alguma muito privilegiada, mas sinceramente
pelas roupas que eu estava vestindo poderia ser a primeira da porta.
-- Por gentileza – disse o senhor entregando-nos o cardápio – daqui
alguns minutos o garçom virá atendê-las.
-- Obrigada, Joaquim. – encantadoramente sorriu a ele.
-- Com licença. – se despediu e atravessou novamente o salão com uma
elegância impecável.
-- Então gostou da surpresa?
-- Só o fato de você ter aparecido na escola já me deixou muito mais
que feliz.
-- Acostume-se. Odeio almoçar sozinha. – disse olhando-me com aquele
olhar capaz de me derrubar de tanta felicidade. – Mas então o que gostaria de
comer? – voltou a olhar o cardápio.
-- Você! – essa seria a resposta se eu tivesse intimidade. – Aceito
sugestões.
-- Posso escolher mesmo?
-- Deve. Estou em suas mãos Danielle. – respondi sorrindo e
paquerando aquela mulher.
-- Prefiro mais a agilidade das suas. – piscou o olho e sorrindo chamou
o garçom.
-- Pois não, senhora? – Disse o rapaz muito solícito.
-- Queremos: carne de panela ao molho madeira, arroz branco com uma
pitadinha de alho, batata sautée com ervas frescas e aquela salada verde
temperada com molho rose..
-- Sim Senhora. Mais alguma coisa?
-- Sim. Tem como completar a
salada com brócolis?
-- Sim senhora. E para beber?
-- Suco de laranja. – obrigada completou.
-- Boa pedida! – exclamei ao ver que almoçando com ela não passaria
fome. Nem mais me contentaria com bolacha água e sal, como tinha feito nos
últimos dias.
-- Gostou? – perguntou levantando uma sobrancelha.
-- Amei. Cada segundo com você é incrível.
-- Também gosto da tua companhia Claudia.
-- Parece um sonho estar aqui.
-- Mas não é. Realmente estou aqui em sua frente de carne e osso.
Claro que mais carne que osso. – brincou. – Mas então me fale um pouco mais da
tua vida.
-- Mais?
-- Sim mais. Quais são seus planos?
-- Planos para o meu futuro os únicos que faço é em relação aos meus
estudos. Pretendo doutorado no próximo ano, mas preciso ter um Q.I. ainda não
sei que rumo tomarei para entrar novamente na universidade.
-- E mestrado?
-- Fiz em Porto Alegre, um pouco antes de viajar.
-- Hum pensei que fosse na Nova Zelândia.
-- Não. Lá fui apenas para aprimorar meu inglês e complementar o meu
currículo.
-- Somente isso? – perguntou dando espaço ao garçom que servia nosso
almoço.
-- Sim somente.
-- E o que ou quem te levou pra lá?
-- Fui pra lá com Sandra. Minha ex. Ela sempre foi muito ambiciosa
para o estudo, se informou com alguns colegas de faculdade, juntamos um
dinheiro e fomos com o intuito de estudarmos e trabalharmos.
-- Hummm e o que aconteceu com
essa menina?
-- Encontrou uma inglesa e ficou pelo mundo.
-- E você sente saudade dela?
-- Sinto saudade de mim. Dos meus sonhos, da minha ingenuidade, ...
Mas vamos esquecer isso e vamos acabar de saborear esse almoço que está uma
delícia. – Tentei quebrar o assunto, que querendo ou não ainda me machucava.
Dani e eu almoçamos e antes mesmo do começo das aulas já estava na
escola. Feliz da vida e mais apaixonada do que nunca.
***
Na escola conversei com Clarisse, assuntos referentes às turmas que
teria naquela tarde.
-- Clau. Essa mulher que almoçou contigo não é a dona do Pet?
-- Ela mesma.
-- Mas ela é chegada a coisa? – perguntou arregalando os olhos.
-- Sinceramente não sei. Ela é apenas muito amiga da minha avó. Pelo
que eu saiba, ela é até casada. – tentei desconversar.
-- Sim e o marido dela é um gato.
-- Xi to te estranhando Clarisse. Pensei que você gostasse de
mulheres.
-- E gosto, mas não morrerei em achar homem bonito. Morrerei? –
gargalhou – e não sabia que vocês eram amigas.
-- Como já te disse ela é muito amiga da minha avó. Moramos quase ao
lado do Pet. – mais uma vez tentando fugir do assunto.
-- Então tenta descobrir alguma coisa.
-- Deixa de ser fofoqueira Clarisse. – brinquei.
-- Claro Clau. Imagina se ela gostar da fruta. Também vou querer
experimentar. – rindo comentou.
Eu que não achei muita graça.
-- Pode deixar Clarisse! – falei entre os dentes indo para minha
sala.
A tarde passou voando. Assim como meu pensamento que de minuto a
minuto visitava minha empresária.
Aquela sexta feira foi o máximo, mágica jamais sonhada antes. Não
com toda surpresa que esperava...
A noite minha avó percebeu minha felicidade e quis saber de tudo nos
mínimos detalhes. Sem vergonha contei do encontro, do almoço, do trabalho e dos
planos futuros. Claro que não comentei com ela os planos de ter Dani ao meu
lado, falei apenas em relação aos estudos.
O silêncio de Dani imperou naquela noite, sem saber se
excelentíssimo havia ou não chegado de viagem adormeci na dúvida.
***
Suaves batidas na porta fizeram com que eu despertasse.
Suaves batidas na porta fizeram com que eu despertasse.
-- Clau? – disse vó Maria entrando ao quarto.
-- Oi. Aconteceu alguma coisa? – assustei. – Que horas são? – sentando
na cama, bocejando ainda atordoada de sono.
-- Não aconteceu nada. Ainda é cedo. Apenas tens uma visita.
-- Visita vó quem?
-- Posso entrar? – vi minha deusa entrando no quarto, já pronta,
maquiada usando uma saia jeans desbotada, a camiseta vermelha que eu havia
customizado para ela, um top da mesma cor e uma sandália rasteira com umas
pedras coloridas em cima.
-- Nossa que surpresa! – única coisa que consegui dizer morta de
vergonha.
-- Pois então. Mais uma para te acostumares. Vim te buscar para
passar o final de semana comigo. Aceita? – disse sentando-se na cama ao lado da
Vó.
-- Final de semana? – Perguntei estranhando e ao mesmo tempo olhando
pra minha véinha.
-- Podes ir minha filha. A vó ficará bem com a Isa. – disse sorrindo.
-- Então. Vou.
-- Isso mesmo levante-se coloque uma roupa que te aguardo lá em
baixo. – disse Dani levantando e indo em direção a porta.
-- Que nada. Quem esperará na cozinha serei eu. Enquanto vocês se
arrumam, ou melhor, Clau se organiza estarei preparando o café. – Disse ela
imitando Dani e sem vontade nenhuma de ouvir algo contra nos deixou no quarto.
-- Vamos lá guria agiliza. Quero sair daqui antes do meio dia. –
Dani intimou.
-- Não mereço um beijo antes? – arrisquei.
-- Um beijo? Agora? – sorrindo e sentando novamente na cama beijou
de leve meus lábios. – Aí está o beijo. – Disse levantando e saindo do quarto.
– Te espero na cozinha.
Sozinha sem acreditar no que estava acontecendo. Corri pro banho
juntei umas roupas na mochila, mesmo sem saber para onde iria e desci.
Encontrei Dani, Vó e Isa tomando café na cozinha.
-- Nossa nem me esperaram. – fingi tristeza.
-- Mas como esperar. Hoje pelo jeito está te sentindo uma noiva. –
Isa brincou. – No tempo que levaste pra tomar banho eu desci tomei café e
fumaria um cigarro. Isso se eu tivesse esse vicio deplorável.
-- Ainda bem que não tens né maninha. Bom Dia pra você também! –
falei beijando seu rosto e largando a mochila em uma das cadeiras livres.
-- Nossa Isa deixa de ser
faladeira! Clau nem demorou.
-- Dani tu não vale! Não pela atual circunstancia tua opinião não
conta. – riu
-- E qual a atual circunstancia Isa? – perguntou com ar debochado.
-- Prefiro não comentar Dona Danielle. – Isa brincou e subindo as
escadas comendo uma maçã nos deixou rindo na cozinha.
-- Mas então meninas aonde será o final de semana de vocês? – minha
vó pergunta na maior naturalidade.
-- Em algum lugar bem tranqüilo Dª Maria. Mas não te preocupes lá o
celular pega direitinho pode ligar a qualquer momento e é perto daqui. Precisou
é só chamar. – disse Dani no maior mistério.
-- Nossa que lugar será este? – perguntei acabando de tomar o café.
-- Segredo, Senhorita Claudia! – disse já levantando – vamos?
-- Beijo vó. Tchau Isa. Gritei toda faceira e sai. Seguindo minha
deusa.
aiai... esse final de semana até eu queria :D
ResponderExcluirAmei o conto... ainda bem que peguei no inicio... que dias vc costuma postar? preciso saber do resto...
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