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sexta-feira, 5 de abril de 2019

CAPITULO X



-- Bom Dia Clarisse! – cumprimentei assim que entrei no curso. – Nossa estás linda de vermelho. – elogiei.
-- Bom Dia Claudia. O que aconteceu?
-- Ai guria tanta coisa boa que nem te conto!
-- Pelo jeito teu final de semana foi fantástico.
-- Foi espetacular. Mas me conta o que temos pra hoje?
-- Nada. Liguei pra ti no sábado avisando que hoje não teremos alunos. Problemas elétricos, acreditas?
-- Sério? Estou de folga então? – já feliz com oportunidade de passar na loja da Dani.
-- Folga não. Apenas poderias chegar as nove ao invés das sete, agora que estas aqui e bateste o cartão não pode sair até as 11h: 30min. Cumprir o horário.
-- Sacanagem. Bem agora que estou aqui, basta ficar sem nada pra fazer. – sentei-me em uma poltrona.
-- Verdade.
-- Mas e tu por que vieste tão cedo?
-- Esperar os técnicos. – falou sem ânimo algum – Mas me conta como foi seu final de semana?
-- Fiquei com uma mulher linda. Foi fantástico, em um lugar paradisíaco.
-- Nossa! E quem é essa maravilha? Eu conheço?
-- Não. Tu não conheces. Mas te garanto que se depender de mim a fundo não conhecerás mesmo, por que ela é minha. – sorri.
-- Ai Claudia quem te vê falando parece que sou uma safada. Que come todas.
-- E não és?
-- Claro que não. Tem mais de dois meses que não pego nada nem gripe, quanto mais mulher.
-- Nossa tenho até medo de quando pegares uma.
-- Quando me pegarem né. Por que amo ser pega por quem tem pegada.
-- Xiiii, passivona é guria?
-- Passiva.
-- Ai Ai! Tens muito que aprender. – gargalhei.
-- Mas me conta quem é ela?
-- Não digo. Só digo que é fantástica. Linda. Carinhosa. Só não perfeita. Mas também quem quer uma mulher perfeita?
-- Todas nós. – riu. – Mas a conheceste aqui no Brasil? – xeretou.
-- Sim aqui no Brasil.
-- Onde? Por que eu não conheço ninguém.
-- Por ai. – sorri.
Conversamos tranquilamente até próximo das nove, quando nossos colegas de trabalho foram chegando. Neste período Clarisse contou-me muitas coisas de sua vida fora do trabalho. Ela é muito legal, tem uma experiência de vida interessante. Morou fora por quatro anos, foi casada duas vezes uma com homem e uma com mulher. Enfim coisas da vida.
***
Tempos depois decidi ligar pra Dani. Estava com saudades dela. E queria saber se almoçaríamos juntas.
-- Alo.
-- Oi bom dia! – falei sorrindo.
-- Ola bom Dia! – respondeu em tom seco.
-- Aconteceu alguma coisa?
-- Ah sim interessante essa proposta, já me ligaram e esclareceram na sexta feira, mas infelizmente não tenho interesse mesmo.
-- Do que estás falando Dani?
-- É realmente a proposta é boa como já lhe disse, mas não tenho interesse.
-- Ele está ai né?
-- Sim. Por favor, me tire do seu cadastro.
-- Desculpa. – desliguei
Mil coisas passaram em minha cabeça naquele momento, angústia apertava meu peito, celular ainda fechado na mão, senti meus olhos encherem de lágrimas.
-- Nossa que carinha é essa? Aconteceu alguma coisa? – Clarisse quebrou meus pensamentos.
-- Não tudo bem. Então teremos aula a tarde?
-- Ainda nada decidido.
-- Hummm. – balbuciei antes de sair.
-- Aonde vais?
-- Pra minha sala ler.
Sala onde me tranquei, ficando ali até meio-dia absorto em meus pensamentos.
Desperta somente pelo toque do celular informando que uma mensagem havia chegado. Olhando o visor tinha apenas DS, ou seja, Dani.
“Por favor, não me ligue mais. Deixa que quando der eu te ligo.”
Sem saber o que responder e se poderia responder fechei novamente o celular e saí para o almoço.
-- Haverá aula à tarde? – perguntei pra Clarisse assim que a encontrei na recepção.
-- Não e mesmo que tivesse Claudia, hoje não trabalhas à tarde. – respondeu brincado.
-- Tinha esquecido. – Única coisa que consegui responder antes de sair caminhando rua a fora.
***
Cheguei em casa somente próximo as duas da tarde, passei em frente a loja tentando não olhar, mas foi praticamente impossível.
“Maldita hora que olhei!”. – pensei quando vi o excelentíssimo atendendo no caixa e o carro dela parado em frente.
***
-- Oi Clau. Demoraste a chegar hoje. Por onde estavas?
-- Caminhando Vó. – respondi sem ânimo.
-- Queria fazer as compras. Me levas? – ouvi muito baixo já entrando no quarto, praticamente deixando-a falando sozinha.
“Não posso nem chorar, desde o começo sabia que seria assim. Sabia de seu casamento e não seria apenas um sexo que a faria mudar de idéia, que a faria mudar de vida para ficar comigo. O que eu tenho a oferecer? Nada. Só o almoço de sexta custou um terço do meu salário. E a ilha? Se eu quisesse a convidar para tomar um banho de piscina seria a plástica de dois mil litros que era da Isa quando pequena... Realmente ela não é para mim!”
Minha tarde se resumiu a banho e passeio com a Vó, ou a tentativa de um... Na metade do caminho meu chumbrega pifou. Estávamos indo a um bairro distante visitar uma amiga do curso de crochê. Sem conseguirmos chegar ao destino o carro perdeu todos os seus comandos, resultando em “quebra da caixa de câmbio”, “duzentos reais de guincho”, mais “setecentos reais” de conserto, incluindo mão de obra.
-- Maldita hora que compraste essa lata velha.
-- Vó ele é tão lindo.
-- Só se for por fora né Claudia! O bicho só dá despesas. – falava enfurecida sentada no banco de trás de um taxi – Amanhã mesmo vou dar um jeito nessa coisa.
-- O que vais fazer?
-- Reciclar. Acho que se vender em um desmanche eles pagam menos que o conserto.
-- Pois então Vó. Dá pra arrumar. – falei não querendo dar gastos a ela.
-- Pois então? Pois então que não soube me expressar. Mas não quero mais saber desse carro, nem que eu o largue em um terreno baldio. Não vou arrumar m* nenhuma e vou vender assim mesmo.
Não pude sequer opinar. Ela já estava mais do que decidida.
-- Para aqui! – pediu ao taxista que parasse em frente à loja de Dani.
-- Me acompanha? – disse pagando a corrida.
-- Pra que? O que queres ai?
-- Ração do Baruque está terminando. Preciso comprar e também quero agendar um banho, o pobre animal esta fedido demais.
-- Prefiro não entrar Vó. – falei fechando a porta do carro.
-- Pois bem entra! – me segurou pela mão fazendo com que eu a acompanhasse loja a dentro.  
Minha avó foi muito bem recebida por todos os funcionários, no caixa não havia ninguém
Lucas mesmo que vendeu e cobrou.
-- Dani está onde Lucas? – Vó pergunta sem cerimônia....
-- No escritório com o senhor Antônio.
-- Hum. Manda um beijo meu e de Claudia pra ela.
-- Sim senhora. A senhora vai querer que algum funcionário entregue o saco de ração? – perguntou gentilmente.
-- Não há necessidade Lucas, eu mesma o levarei. – respondi em tom sussurrado.
-- OK.
Me dirigi a pilha de rações, peguei o saco indicado por ele e saio caminhando em direção a porta.
-- Ola Dª Maria. – voz mais que conhecida vinda do fundo da loja.
-- Dani minha linda. Vim aqui pegar um saco de ração com a Claudia.
Vendo seus olhos engolindo os meus, não pude deixar de sentir um arrepio na espinha, vendo-a tão linda, cheirosa como sempre. Cabelos presos em um rabo de cavalo, brincos compridos emoldurando o rosto, pulseiras de ouro, anel de pedra amarela na mão direita, bermuda de linho branca, camisa laranja, três botões abertos mostrando seu colo nu, tamanco de salto preto e um sorriso encantador direcionado a minha véia.
-- Olá Maria. Como estás? – chegou Antonio ao nosso lado fazendo com que eu parasse tamanha observação.
-- Oi meu filho como estás? – o cumprimentou carinhosamente com um beijo no rosto.
-- Bem e a senhora? – dirigiu-se a ela. – Tudo bem Claudia? – me cumprimentou normalmente.
-- Tudo sim. – respondi a ele secamente – Vó, levarei esse saco em casa e a aguardo lá. – queria um buraco para me esconder.
-- Sim. Daqui a pouco estarei em casa.
Saí deixando-os conversando carregando o imenso saco. Doida demais por dentro, por ter visto minha mulher ali, fazendo as honras de um casal perfeito.
Sem ter muito que fazer em relação a isso fui para o quintal brincar com baruque. Belo cachorro, carinhoso, meio atrapalhado pelo tamanho, brincadeiras, pulos, latidos, foi o que me distraiu por um bom tempo. Até minha avó chegar da rua.
-- Clau. Tenho novidades. – disse olhando na porta do quintal.
-- Que novidade? Dani e Toni terão um bebe? – falei com desdém.
-- Desde o começo sabias que Dani é uma mulher casada, assume as conseqüências dos teus atos. – friamente falou. – Mas pare de brincar com esse cachorro e venha aqui. – ordenou.
-- Fala Vó. – disse sentando na porta ainda acarinhando  Baruque.
-- Já comprei um carro pra gente. – disse colocando água para o café.
-- Como assim já comprou um carro?
-- O da Dani. Toni vai trocar o carro dele e de já ajudará ela a trocar o dela. O preço que eles me fizeram foi muito bom, por isso já fechei a compra.
-- Hummm, mais essa! – disse levantando e rapidamente indo para o quarto.
“Não basta ser pobre.... Tem que ter a riqueza dos outros estampada nas fuça”
Com esta auto-estima inexistente fui para o banho. Quando saí, vi meu celular com luz de mensagem, curiosa abri antes mesmo de me vestir.

De: DS
Oi minha linda, hoje foste mais que perfeita, peço-te desculpas por não ter podido tratá-la de uma maneira mais carinhosa, mas confesso que gostaria de me desculpar pessoalmente. Amanha a noite? Disponível?
Recebida: seg 27-nov-06 – 17h:54
“Respondo?” ou “Não respondo?” Minha dúvida. E encontro na terça? Às escondidas? Até que ponto mereço isso? Até que ponto preciso me submeter a isso?
Colocando o celular de volta na escrivaninha, me vesti e pensando se iria responder ou não desci. Circulei um pouco pela cozinha, bebi um copo de leite, comi uma banana... Subi apenas quando ouvi meu celular tocar, e dessa vez era chamada...
-- “Alô. ... (consegui atender antes que desligassem) .. Oi Manu tudo bem? .. Sim comigo perfeito. ... Sem maldade é que a Vó se machucou semana passada, houve outros contratempos, enfim... Entendo você perfeitamente. ... Claro que podemos nos ver. Por que não poderíamos? ... Amanhã? ... A noite? ... Pode ser. Te espero ... Pode ser na esquina da loja da Dani. ... Isso... Beijo. Até amanhã ... Você também.... Tchau!”
Encontro com Dani amanhã? Para que? Para ela me dizer que está vivendo numa boa com o marido? Que me quer só pra sexo? ... Pois então. Assim ela terá. Assim como ela tem o Antonio ao lado dela, eu também terei uma acompanhante.
“Olá, não precisas agradecer por minha discrição, e não há nada do que se desculpar entendo sua circunstância. E amanhã não poderemos nos encontrar a noite, somente a tarde!”
Mensagem enviada... Agora basta esperar se haverá ou não a resposta.
E ela não veio. Ao menos até a hora em que adormeci.
****
Após uma aula normal, finda meu expediente, quando passo meu cartão que informa a hora de saída vejo o imenso sol que nos aquece e no outro lado da rua vejo um Xsara Picasso preto, vidros tão escuros quanto a noite e nele Dani encostada olhando em minha direção. Seu sorriso brilhava tanto quanto o sol, vestida para matar com um vestido preto com detalhe em renda decote que salientava seu busto, uma sandália preta salto alto e nas mãos um cigarro já no fim.
-- Oi. – disse admirando sua beleza.
-- Olá. – voz suave e sorriso mais que aberto.
-- Surpresa você aqui!
-- Tu quem marcou. “Amanha à tarde!”, era o que dizia na mensagem, pois então aqui estou eu.
-- E qual o motivo do encontro?
-- Um almoço. Aceita?
-- Sim.
-- Então Bora! – disse entrando no carro.
Entrando no carro ouvindo Adriana Calcanhoto, ela tomou as ruas da cidade, com sua mais nova nave terrestre.
“MOTEL” – eis o nosso restaurante. Demonstrando todo o meu desencanto olhei em sua direção enquanto ela estacionava na garagem privada.
-- O que houve Claudia? – perguntou parando na portaria.
O que responder? Estava feliz por estar com ela, mas não naquela circunstância. Uma foda no meio do expediente. Não era isso que eu queria... Eu queria mais.
Mas e como dizer isso a ela?



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