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sexta-feira, 5 de abril de 2019

CAPÍTULO VIII



No carro Dani dirigia distraidamente com sua mão em minha perna, pouco falávamos, apenas me atrevi a perguntar para onde iríamos, mas não obtive resposta a não ser um belo sorriso.

Meu inconsciente, (um velho, barrigudo, careca e com barba grisalha), pulava de tanta felicidade, e quando via a nuvem que representava o marido de Claudia em cima de sua cabeça pulava segurando as calças com uma mão e com a outra empurrava a dita cuja escura para outro lado. Assim podendo ser iluminado pelo sol da descontração novamente.

Chegamos ao local após ficarmos quarenta minutos em uma balsa GIGANTE, capaz de carregar dois carros por vez até uma ilha encantadora, aparentemente desabitada.

Quando desembarcamos Dani se dirige a uma trilha para carros. Pelas janelas só víamos árvores, e na frente marca de pneus mostrando que não éramos as únicas a andarmos por aquele caminho.

Minutos depois deparamo-nos com uma bifurcação. Dani como eximia conhecedora do local virou à direita. Andando mais alguns metros, parou em frente a uma porteira.

-- Abre pra mim? – pediu.

-- Sim, mas não tem perigo aqui? Não há animais selvagens? – perguntei realmente com certo receio, pois estávamos em uma floresta.

-- Claro que não Claudia. Se houvesse jamais te pediria tal favor. – tranqüilizando-me.

Abri e fechei a porteira dando continuidade à estrada.

-- Chegamos. – Disse em frente a uma bela casa estilo colonial, grande como a dela de praia.

-- Nossa linda casa. – única coisa que consegui exclamar.

-- Realmente. – disse abrindo a porta do carro, sendo recebida por um casal.

-- Danielle. Que bom que vieste. – falou a senhora com um sorriso de orelha a orelha

-- Tudo bem Jandira? – abraçando-a cumprimentou. –- Sebastião – abraçou o senhor.

-- Dani há quanto tempo não vinhas aqui? Quando recebi teu telefonema avisando que virias fiquei muito feliz. – Disse a senhora com olhar carinho.

-- E essa bela mulher quem é? – Sebastião me observava.

-- Essa é Claudia, uma grande amiga, que merece um final de semana de descanso assim como eu. Por isso aqui estamos. – Dani respondeu chamando-me para perto.

-- Muito bom. Mas, por favor, entrem! - Jandira indicou o caminho.  

Entramos na sala, rusticamente mobiliada. A nossa esquerda um belo oratório, uma mesa para oito pessoas, uma cristaleira com inúmeras peças de cristais, a direita uma sala com estofados brancos, almofadas e xales em tom pastel, mesas de centro e de canto de madeira pintada em tom terroso, uma lareira no canto e ao centro da parede um hack com televisão, vídeo cassete, DVD, vídeo game, enfim inúmeros aparelhos eletrônicos. A parede ao lado uma imensa janela de vidro que tornava possível observar o belo jardim e a piscina.

-- Nossa Jandira. Parece que eu nunca saí daqui. Nada mudou nesses anos todos. – Dani falou sentando-se confortavelmente enquanto Sebastião tirava nossas bagagens do carro.

-- Verdade Dani. Parece que foi ontem que tu e teus irmãos corriam descalços por ai. – Jandira sorriu ao lembrar. – Mas sente-se Claudia, estás em casa. – disse-me ela ao ver-me ainda em pé admirando a beleza do lugar.

-- E o pai tem aparecido?

-- Como te falei ontem ao telefone. Ele apareceu tem uns quinze dias trouxeram as compras do mês, mas não posou por aqui. A senhora Julia não se interessa muito pelo campo.

-- Também trouxe algumas coisas – disse Dani – E aquela bruxa não se interessa por nada. Apenas por desmanchar família. – comentou indo em direção ao corredor. – Sebastião? – O chamou.

-- Sim Dani.

-- Sebastião tu e Jandira estão de folga este final de semana, gostaria que vocês fossem para a cidade. – praticamente ordenou.

-- Mas Dani, nós somos pagos para auxiliar quem quiser usar a casa. – Jandira explicou.

-- Sei disso, mas não há necessidade. Conheço isso aqui como a palma da minha mão, Claudia e eu somos crescidinhas e podemos ficar sozinhas.

-- Mas o carro está com problema. – interveio ele.

-- Podem usar o meu. – estendendo a chave em sua direção.

-- Capaz Dani.

-- Por favor, insisto. Realmente gostaríamos de ficar sozinhas.

-- Ah então podemos passar o final de semana na casa da Ana, vamos Tião. – Jandira pediu ao marido.

-- Se Dani quer assim, iremos de bom grado. To doido de saudade dos piá. – disse ele rindo.

Dani me mostrou a casa enquanto eles se organizavam para sair. Realmente coisa de outro mundo que não era o meu. Moveis projetados exclusivamente para cada peça. Equipamentos na cozinha que nem sabia como se usava.

Eles não demoraram muito a se distanciar da ilha, deixando-nos sozinhas, para o meu alívio.

-- Nossa Dani que legal isso aqui. Acha que eles não desconfiarão de nada?

-- Não acredito. E também se desconfiarem não tem problema. Eles trabalham pro meu pai há mais de trinta anos. Sempre foram muito discretos.

-- E essa ilha é do teu pai?

-- Metade dela sim. Mas não quero falar sobre isso. Que tal um banho de piscina? – disse abrindo a porta de vidro, a que eu pensava que era janela, já tirando a blusa e a minissaia ficando apenas de biquíni. – Venha! – me chamou percebendo que eu não tinha saído do lugar.

-- Estou sem roupa de banho. Está na mochila. – expliquei me aproximando da borda da piscina e agachada a observei.

Dani não esperou minha resposta. Mergulhou como se fosse uma sereia. Voltando a superfície, não falou nada apenas deu uma torcida no cabelo e com o dedo fez sinal me chamando.

-- Vou pôr minha roupa de banho. – levantei com intenção de ir até o quarto onde minhas coisas estavam.

-- Ei. – Chamou

-- Mereço um beijo antes? – disse aproximando-se.

-- Todos. – Fui ao seu encontro.

Mal colei meus lábios no dela, sentindo um arrepio na espinha e sua mão me puxando cai na água. Abafei sua gargalhada com um beijo. Sentindo seu corpo ali, praticamente nu ao meu lado aumentei a intensidade do beijo e dei vida às minhas mãos, que percorriam cada detalhe daquele corpo.

Dani retribuía o beijo e mostrando-se inteiramente entregue tirou minha camiseta, meu sutiã, minha bermuda deixando-me apenas de calcinha. No mesmo embalo a despi.

Por minutos sentia apenas nossas peles roçando, minha boca beijava, sugava seu pescoço enquanto minhas mãos vasculhavam seu corpo. Quando toquei seu sexo, Dani puxou meu cabelo e sem se importar com o barulho gemeu deliciosamente. Abriu um pouco mais suas pernas para facilitar meu toque em sua buceta completamente melada. Seu grelo duro convidava o meu toque. E com movimentos circulares o friccionava levando não somente Dani ao êxtase, mas também ficando doida por ela.  

-- Nossa que delicia de toque! – falava enquanto me beijava. – sabe que eu amo o teu toque? Tuas mãos? E a maneira que consegue me levar à loucura? O que tens que me encanta? Como consegues me enfeitiçar desse jeito? – falava enquanto roçava seu sexo em minha mão.

Já sentindo minha garganta seca, a levantei e a deitei na borda da piscina, Dani ali relaxada, abriu as pernas facilitando minha visão, daquele sexo com pele rosada, pêlos pubianos raspados em forma de triângulo devidamente aparados em um cumprimento ideal (nem tão cerrado a ponto de arranhar, nem tão grande a ponto de desprender da pele), seu grelo grande e duro chamava minha língua e sua buceta chamava meu toque.

Atendendo ao pedido, abri seus grandes lábios, e levemente passei minha língua pelo seu sexo. Na entrada suguei seu mel, enfiei minha língua antes de chegar ao seu grelo.

Dani se contorcia e se esfregava em meu rosto. Facilitando a chupada e o toque de dois dedos entrando e saindo.

-- Vai Clau! Não pára! Chupa! Chupa gostoso vai! Assim! Isso! Nossa que delicia! – falava enquanto rebolava em minha boca – Ai Clau! Não pára! Suga! Suga! ...

Sentindo suas mãos puxando meus cabelos fiz o que ela pediu parando apenas quando senti seu corpo tremer, seu gozo brotar em meus dedos e seu gemido saindo de forma descompassada de acordo com sua respiração fora de ritmo.

Suas pernas tremiam de segundos a segundos.

-- Nossa que delicia! – falou antes de me sentir em cima dela beijando sua boca suavemente. Única parte dos nossos corpos que se tocavam era nossos seios e nossas bocas.

-- Roça essa buceta em mim! – pediu.

Abrindo meus grandes lábios no mesmo momento em que ela abria os dela, encostei nossos grelos. E de leve pressionava o meu.

Sentindo seu corpo em baixo do meu roçava minha pele na dela, beijava sua boca e sentia o tesão aumentando.

-- Delicia! – dizia movimentando seu corpo no mesmo ritmo que o meu.

-- Você que é uma delicia. É tudo o que sempre sonhei...

-- Então roça esse grelo no meu, me faz gozar de novo. – palavras de Dani que me levavam a loucura. Sem conseguir controlar soltei meu gozo pressionando um pouco mais forte meu grelo no dela.

-- Isso minha branquinha não pára! Vou gozar de novo! Isso! Assim!

Sem parar meu movimento vi Dani gozar de novo.

Seu coração batia tão descompassado como o meu. Sua respiração acelerada demorou um pouco a voltar ao normal.

Deitada ao seu lado descansei analisando seu corpo, seu rosto, seu sorriso, seus olhos, que brilhavam de uma maneira única.

-- O que eu falei é verdade Claudia. Eu não sei o que tu fazes comigo o poder que tens sobre o meu corpo. O teu olhar me desmorona, o teu toque me leva a loucura.

“Amor” era isso que eu queria ter dito realmente eu amava aquela mulher. Mesmo conhecendo há menos de um mês. Mesmo encontrando com ela apenas pela segunda ou terceira vez, já me via encantada...

-- Realmente não sei Dani. Sei que assim como mexo com você, você mexe comigo.

Beijei seus lábios com carinho. Pressionei seu corpo contra o meu e senti o seu abraço apertado me envolvendo.

-- Esse piso está quente. – reclamou.

-- Então vamos pra água.

-- Sim, mas antes passa bloqueador em mim? – pediu já levantando e caminhando em direção a sua bolsa para pegar a bisnaga.

Entregando o tubo em minhas mãos e parando a minha frente, espalhei o creme por todo seu corpo, quando passei entre suas pernas, não me contive e mais uma vez abri seus grandes lábios e passei minha língua em seu grelo.

-- Safada! Tu gostas de provocar com essa boca tentadora né? – Falou sorrindo.

-- Na verdade não gosto de provocar. Gosto do teu corpo, do teu gosto da tua voz do teu gemido... – falei beijando e abraçando aquele corpo que tinha acabado de ser meu.

-- Eu também amo tudo isso em ti. Agora me dê aqui esse tudo, que eu preciso cuidar dessa pele deliciosa. – falou espalhando o bloqueador em minha pele. – Fome? – perguntou assim que acabou de passar.

-- Não. E você?

-- Óbvio fazer amor abre o meu apetite.

“FAZER AMOR?” Será que ouvi bem? – fiquei pensando enquanto ela foi à cozinha e retornar com uma bandeja de frutas.

Por ali ficamos por algumas horas, comendo, namorando, nos banhando. Quando o sol começou a baixar entramos para casa. Dani foi para o banho enquanto eu preparava um macarrão ao molho de camarão para comermos. Quando ela saiu do banho tudo já estava quase pronto.

-- Ei. Vai pro banho enquanto eu termino aqui. – disse-me abraçando por trás.

-- Sério? Você sabe cozinhar? – perguntei virando-me de frente pra ela.

-- Claro tenho até curso de culinária pelo SENAC. – riu piscando o olho.

-- Então estou indo.

***

Após um banho relaxante, encontrei Dani com a mesa posta. O cheiro de camarão exalava pela casa, ela usava um vestido amarelo, que contrastava com a cor de sua pele queimada do sol, nos pulsos cordas trançadas, combinando com brincos artesanais, mas infelizmente o anel de ouro continuava no dedo.

-- Nossa que linda! – falou assim que me viu.

-- Bobagem. Estou normal. – falei mostrando minha camiseta e minha bermuda.

-- Mas essas tatuagens? Sabia que elas me deixam doida? – disse beijando-me.

-- Não muitas. Apenas seis. – falei mostrando algumas.

-- Seis e achas isso pouco?

-- Sim. Mas não te preocupas não pretendo fazer mais.

-- Ainda bem. – riu – então vamos comer?

Sentamos ao redor da mesa e jantamos.

***

Após o jantar Dani e eu sentamos na varanda. Seu corpo grudado ao meu, o cheiro de sua pele suavemente alimentava meus instintos. Seu pescoço próximo a minha boca chamava meu beijo.

-- O que estás pensando? – perguntou a me ver quieta.

-- Analisando a lua.

-- Sério?

-- Gostas da lua?

-- Sim. Acredito que ela é mágica, que ela é o ventre da terra, isso segundo as ciências ocultas*. De lá partem todos os espíritos para a encarnação e para lá retornam após a morte em um ciclo que se renova.  Por isso acredito que a lua está ligada ao ventre feminino, tanto que se observarmos, na fase crescente ela parece estar presa ao firmamento, assim como um embrião em desenvolvimento.

-- Nossa nunca tinha observado, nem se quer imaginado tal coisa.     

-- Eu também não. Fiz a associação lendo Sylvia Plath, uma poetiza norte americana que cita muito a lua em seus poemas.

-- Sério?

-- Sim. Sabes que um dos mais importantes poemas do século XX é dela? Chama-se Ariel foi escrito oito meses antes de seu suicídio. E publicado postumamente.

-- Nossa já vi que tenho muito que aprender contigo. – disse virando-se de frente pra mim beijando meus lábios.

-- Que nada, apenas conhecimento oco.

-- Oco? Achas que poesia é oca?

-- Sim. De que adianta saber poesias, e não ter a quem recitá-las?

-- Agora tens! – sorriso mais belo do mundo acompanhado do beijo mais gostoso.

Tenho? Até quando? Por onde anda o marido dela? Que medo é esse que tenho de perguntar? Acho que tenho medo é de perder o pouco que ela tem a me oferecer. Se eu tocar no assunto a noite pode terminar. O encanto pode sumir... Até quando posso cobrar? – perguntas, pensamentos que meu inconsciente me fazia, olhando friamente por cima dos óculos enquanto Dani beijava e acarinhava meu corpo. Sacudindo minha cabeça como em desenhos animados para que o pensamento disperse voltei à realidade e aproveitei seus carinhos.

·       ***  Segundo o livro de Juliet Sharman-Burke – The New Complete Book of TAROT

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