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quarta-feira, 10 de abril de 2019

CAPITULO I:



Bom Filho a casa torna.
Às onze horas da manhã de um dos últimos dias de outubro piso novamente em solo gaúcho. Olhando aquele céu azul, aquele sol que iluminava todo o meu Rio Grande do Sul senti uma angústia, uma sensação de fracasso, pois da última vez em que estive ali era apenas uma criança com sonhos bobos ...

Antes queria descobrir o mundo, queria amar e ser amada de uma maneira única, queria montar minha família com a mulher que eu tanto amava, ... Bem aquela história de uma casa azul, com portas, janelas e cerca pintadas de branco, flores espalhadas pelo jardim, um cachorro companheiro, e algumas crianças me chamando de mãe. E quem seria o pai? Esse estaria escondido na fisionomia de Sandra. Uma bela mulata de olhos cor de caramelo, cabelo comprido, corpo perfeito, andar sensual e uma voz de telefonista, tão suave que me levava à loucura. Na verdade, enlouqueci não somente pela voz, pelo corpo, mas pelo desafio a vida. ... Sandra vivia sem medo, se habituava a qualquer vida, vivia rindo, não somente nas situações mais impróprias, mas dos tombos que levava.

Sempre pensei que ela tivesse um caráter intocável, que dinheiro nenhum a compraria, que assim como eu, estava disposta a recomeçar do zero e formar uma família, ter seu porto seguro. Mas infelizmente me enganei na primeira semana que pisamos em solo estrangeiro.

O país era Nova Zelândia, terra belíssima, com grandes oportunidades de novas amizades, novos trabalhos, e principalmente enriquecermos nosso currículo, nossos conhecimentos, afinal éramos apenas duas meninas recém formadas em letras pela universidade federal do Rio Grande do Sul.

Lá chegando fomos ao encontro de Carlos, um gaúcho que assim como nós estava à procura de uma nova vida. Ele era, e é, um verdadeiro cavalheiro, nos ajudou em tudo, desde a arrumar lugar para ficarmos, até como guia turístico. Seus amigos eram de vários países, todos muito legais, festeiros e ao mesmo tempo estudantes.

Dentre eles estava Diana, uma inglesa que se encantou pela minha morena e com o poder de meia dúzia de palavras a conquistou me deixando completamente abandonada em uma terra desconhecida.

Mesmo com a dor da perda de um grande amor, permaneci por lá o tempo previsto, trabalhei em um restaurante lavando pratos, preparando sobremesas e aperfeiçoando meu inglês. Sandra nunca mais a vi estava correndo o mundo com sua nova namorada podre de rica.

***

Carregando minhas malas em direção ao ponto de ônibus interno do aeroporto, observei que uma bela loira me acompanhava com o olhar, mas infelizmente aquele não seria o momento de pensar em nada disso. Queria apenas chegar até a rodoviária e ir em direção a minha cidade natal, na verdade, estava mais preocupada com o fato de como eu seria recebida por minha família, afinal fazia sete anos que estava fora.

Seis horas depois cheguei à rodoviária de Rio Grande, vi somente pessoas desconhecidas, minha família não estava a minha espera, acho que pelo fato de não saber que estava voltando e dessa vez pra ficar.

Meio desajeitada caminhei até o taxi e insegura passei o endereço da casa da minha avó. No trajeto vi a diferença da cidade, carros novos pra todo o lado, pessoas caminhavam apressadas pelas ruas, lojas conhecidas nacionalmente, ...

O taxi pára em um semáforo há menos de trezentos metros da casa da vó e analisando as mudanças percebo que na esquina havia um pet shop “Apaixonados por Patas”. Parada à porta do estabelecimento estava uma bela mulher com um sorriso encantador, que me chamou a atenção. Ela conversava com uma senhora que infelizmente não conseguir reconhecer.

****

Em frente à fachada da casa sentia minhas pernas tremerem, mas com toda coragem inexistente paguei a corrida e fiquei parada por alguns minutos em frente analisando cada detalhe que não tinha mudado em quase nada. As cores permaneciam iguais. Porta e janela marrons, parede revestida com pedras.

Com muito medo apertei a campainha, silêncio absoluto...

-- Ora, ora. Quem é vivo sempre aparece! – Ouvi a voz vinda de trás de mim.
-- Vó, que bom vê-la! – falei vendo aquela mesma senhora frágil que estava conversando com a tal mulher na frente do pet.
-- Digo o mesmo minha filha, que saudades que estava sentindo de ti. – frase acompanhada de um belo e apertado abraço.
-- Oh vó que delícia. Como é bom sentir teu cheiro de novo e receber esse imenso carinho.
-- Mas vamos entrar minha filha. – comentou abrindo a porta e indicando o caminho para que eu entrasse primeiro.
Assim que entramos, percebi que nada mudou, a não ser a televisão da sala que era de ultima geração. Guardanapinhos de crochê enfeitavam a estante e combinava com os do sofá, a limpeza estava impecável, o cheiro de jasmim exalava pela casa, e misturava com o cheiro de café novo... Nossa que delícia era estar em casa!
-- Ai vó eu preciso de um pouquinho desse café.
-- Então tomaremos minha linda. Eu também preciso de um e com urgência. – comentou sorrindo e me olhando com o olhar de um adolescente apaixonado.

Acompanhando-a num delicioso café ficamos horas ali comendo e conversando. Naquele momento não sabia se eu estava com fome, ou se era apenas saudades de comer coisas preparadas pela vó Maria. Falamos um pouquinho de cada um, queria saber de todos, mas principalmente de Isabella, minha irmã mais nova. Quando saí de Rio Grande ela tinha apenas sete anos, e agora já estava uma moça com 15, cursava o segundo ano do ensino médio e namorava um colega de escola.
-- Tua mãe é que desapareceu pelo mundo Clau. Tem uns bons dois anos que não a vejo, sequer manda um telegrama. – falou minha véinha, com os olhos cheios de lágrimas.
-- Vó, a mãe correu o mundo. Não sabe o que quer, ou melhor, sabe somente que não quer conviver com a gente.
-- Mas o importante minha filha, é que tu estás aqui. – Senti sua mão macia em cima da minha.
-- Sim e vim pra ficar Vó. Daqui não pretendo mudar mais.
-- Ai que bom meu amor!
-- Mas confesso que estava com medo da sua reação a me ver aqui.
-- Por quê? – seus olhos estavam arregalados me encarando.
-- Pelos acontecimentos, a maneira que saí sem dar nenhuma explicação, – respondi com a maior sinceridade.
-- Esqueceremos isso, minha filha, és minha neta e eu te amo acima de tudo. –- salientando essa última palavra, ainda com sua mão em cima da minha, seus olhos entraram nos meus tentando descobrir o que eu pensava. –- E não me importa se não és considerada normal. Para mim tu és normal. –- completou após uma pausa.
-- E Vó o que é ser normal? – analisando aquela senhora que desde a última vez que a tinha visto havia emagrecido uns bons 15 quilos.
-- Ah minha filha se relacionar com homens, formar uma família, casar, usar saia, brincos, esses penduricalhos –- falou segurando seus colares em meio a uma risada.
-- Mas Vó não sou muito fã de usar isso, não.
-- Eu sei, na verdade nunca foste. Desde pequena nunca quiseste sequer brincar com uma boneca, vivia na rua brincando com os meninos, para escovar o cabelo só se trocasse por bolinhas de gude, ... –- ria gostosamente.
-- Pois então vó tem coisas que não mudam.
-- Verdade minha filha.
-- Vó. –- ouvimos o grito vindo da sala.
-- Aqui na cozinha minha filha. – respondeu em resposta a minha irmã que correu ao seu encontro.
-- Mana! –- Berrou a me ver “nossa como adolescente gosta de gritar”. Um abraço apertado, lágrimas escorrendo pela face, beijos perdidos em todo o rosto daquela menina com corpo de mulher linda que só ela, alta, magra, cabelos negros compridos, olhos verdes, -- Que bom te ver. – comentou segurando meu rosto com suas duas mãos. Nossa realmente estava feliz por estar em família.

Naquele resto de dia as horas voaram, muitas conversas, falas altas, risadas, muitas novidades, muitas brincadeiras e muitos mimos a nossa matriarca que sorria de tudo incluindo do arroz queimado para o jantar.

Na hora de deitarmos vó mostrou a reforma feita na casa, que incluía a transformação do quarto dela em uma sala de estar que dava acesso ao andar superior, (coisa que não existia antes), onde havia mais uma sala muito confortável e quatro portas onde estavam os quartos.
-- Vó por que aumentaste tanto a casa?
-- Minha filha, só tenho vocês e meu sonho hoje está sendo realizado te ver aqui.
-- Em nossa casa né vó – cortou Isa.
-- Isso mesmo, nossa casa – se corrigiu- por isso a vó mandou construir esses quartos aqui, um pra casa uma todos mobiliados, arrumados.
-- É a vó manda a Luzia limpar todas as semanas.
-- Luzia? Vó você tem empregada agora?
-- Que nada minha filha, apenas uma mulher que vem aqui me ajudar. Mas entre venha ver o seu quarto. –- segurando minha mão mostrou a primeira porta em frente à escada.

Assim que abri, me deparei com um delicioso dormitório, uma cama imensa, coberta com uma colcha branca, cheia de almofadas vermelhas e douradas, no canto uma escrivaninha com livros de inglês da época que ainda morava aqui, na parede uma televisão de 14 polegadas, em cima da cama um quadro para pôr fotos, e na janela uma bela cortina bege de parede a parede, no canto uma porta marfim que, combinando com a cor de um roupeiro de oito portas, levava ao pequeno banheiro delicadamente decorado, com quadrinhos de flor e tudo.
-- Esse quarto é teu, minha filha. – falou minha bela veinha, me olhando com carinho enquanto eu olhava de boca aberta em todos os detalhes de cada canto que ela tinha preparado pra mim.
-- Vó é lindo demais! Pra quem estava pensando em dormir em um colchão na sala. Ganhei meu dia.
-- Colchão na sala? E lá eu sou mulher de deixar minha neta dormir na sala? – um beijo suave em meu rosto e uma mão firme em meu ombro.
Meus olhos estavam cheios de lágrimas, por me sentir uma privilegiada em fazer parte daquela família encantadora. Claro que faltava minha mãe, mas ela... Bem, ela era uma história a parte.
-- Agora deixaremos descansares, uma feliz noite minha filha e não tenha hora para acordar amanhã. – Disse beijando mais uma vez meu rosto e saindo com Isa.
Fiquei ali apaixonada pelo meu novo canto, sentei na cama e pude sentir a maciez do colchão.

Deitada, mal conseguia pensar, somente agradecer a Deus tudo que tinha recebido até ali.

Adormeci.

Quando acordei já passava das dez, minha avó estava em volta das panelas, o cheiro delicioso de charque exalava pela casa.
-- Bom Dia minha bela adormecida.
-- Bom dia minha delícia. – dei-lhe um beijo em sua têmpora.
-- Tem café na térmica e um misto dentro da torradeira, só precisa ligar na tomada.
-- Nossa vó olha que eu fico mimada hein.
-- Mas pra que serve uma avó senão mimar as netas lindas?
-- Por falar em neta vó, por onde anda Isa?
-- Essa já foi pra escola, volta só à tardinha.
-- Por que só à tarde?
-- Depois da aula ela almoça na casa do namorado, depois tem inglês e termina o dia na natação.
-- Dia cheio vó.
-- Todos os dias.
-- Pago pra ela três línguas diferentes, duas academias, não quero adolescentes parada em casa não. Ela tem que ocupar os dias pra não pensar em besteira, não pensar em drogas, e se preparar pra vida.
-- Mas vó de onde vem esse dinheiro todo?
-- Dos alugueis das garagens aqui ao lado. Há dois anos tua mãe mandou um dinheiro grande e disse pra investir  na educação da Isabella. Isso que eu fiz, comprei o terreno ao lado, desmanchei a casa, e construí uma garagem coletiva.
-- E por que não me contaste isso, Vó?
-- Porque ela pediu, ela não quer que te ajude em nada.
Parei de tomar meu café e olhei pra ela. Sem consegui soltar uma palavra.
-- Mas eu não vou deixar uma neta minha passar trabalho. O que é meu é teu minha filha.
-- Mas por que ela pensa assim? – única coisa que me atrevi a perguntar.
-- Porque ela não concorda com a vida que levas, ela nunca gostou daquela mulher que te tirou daqui. Como era mesmo o nome dela?
-- Sandra.
-- Essa mesma. Tua mãe a odeia, por um momento até odiei, e hoje eu não sei o que faria se a encontrasse.
-- Então também odeias.
-- Sei que ela veio contigo minha filha, por isso peço que não a tragas aqui. O que fizeres pela rua, não me interessa, mas essa mulher aqui dentro eu não quero. -– Disse despejando os temperos delicadamente cortados na panela.
-- Vó. Não verás mais a Sandra. Ela ficou no exterior. Não estamos mais juntas desde o primeiro mês que pisamos na Nova Zelândia.
-- E o que ficaste fazendo lá?
-- Ah vó. Tinha visto por um ano, não iria desperdiçar a oportunidade de estudar e trabalhar em uma cidade diferente por causa dela. Vivi a minha vida. Conheci muitas pessoas, mas não me relacionei mais com nem uma.
-- Mas nem uns beijinhos na boca Clau? – perguntou sentando a minha frente ao redor da mesa.
-- Vó?! – falei espantada com seu comentário.
-- Verdade minha filha. Tu és jovem, bonita tem que namorar. Ainda mais agora que eu sei que não pretendes sair mais daqui. Aceito qualquer coisa, menos pessoas que te tirem do meu lado.
-- Ninguém mais me tirará daqui. – pus minha mão em cima dela.
-- Então minha filha, nem um beijinho? – perguntou com ar de safada.
-- Nada vó. Ela foi a última pessoa da minha vida.
-- Tem quase um ano que tu não beija na boca?
-- Isso mesmo.
-- Nossa ate minha vida sexual aos 65 anos é mais ativa que a tua que tem 32. – brincou em tom de reprovação olhando a panela que fritava os temperos.
-- Vó, tenho 33 anos.
-- Mesma coisa. Minha vida sexual não diminuiu com a tua mudança de idade. –- comentou as gargalhadas.
Ali ficamos conversando e rindo, quer dizer quem mais ria era eu, por estar toda feliz em saber das perspicácias dela. Entre elas a mais legal é que toda a quarta feira avó ia ao baile da terceira idade dançar com seu namorado. Um advogado aposentado de 63 anos, e chegava em casa com o cabelo molhado de suor.

Pouco tempo antes de ela arrumar a mesa para nosso almoço, subi até o meu quarto abri as cortinas e me deparei com uma porta imensa que levava a uma sacada cheia de plantas.
A vista dali era simples, um pedaço de rua, onde carros passavam apressadas, pessoas tentando atravessar na faixa de pedestre, alguns telhados e a esquina em que ficava o pet shop, aquele mesmo que vi a menina do sorriso bonito. “Quando será que ela vai aparecer ali de novo?” pensei “Sossega Claudia Carolina. Vida nova e nessa vida não tem lugar para namorar, precisas mesmo é de um trabalho.” Com este pensamento fui pro banho

***

Colocando os pratos na pia, vó me pediu para que eu fosse ao pet comprar ração para o Baruque. (o cachorro Rottweiler, lindo que ficava no quintal e que por sorte percebeu o quanto amo cachorros, e sequer me estranhou), assim que lavei a louça, fui comprar a ração dele. Entrando no pet vi a mulher do sorriso bonito no caixa. Toda atrapalhada falando com um representante e ao mesmo tempo conferindo mercadorias que tinham acabado de chegar. Eram caixas, saches e escovas por todos os lados. Como era horário de meio dia tinha apenas um funcionário atendendo, havia três pessoas na minha frente. E ao invés de analisar a loja fiquei apenas observando a bela mulher trabalhando distraidamente. Era realmente muito linda. Usava uma blusa azul gola canoa, que deixava seu ombro de fora, um colar de corda com uma pedra da mesma cor, mas tonalidade mais fraca, e nas mãos unhas delicadamente pintadas de branco, pulseira de corda, um relógio grande no pulso, cabelo castanho encaracolado comprido solto e muito brilhoso, mas para minha tristeza uma aliança imensamente grossa e dourada na mão esquerda.

Estava com dinheiro pra comprar um saco de ração com no mínimo dez quilos, mas pensando em retornar outras vezes decidi comprar apenas dois, assim precisaria freqüentar aquele estabelecimento diversas vezes na semana.
Quando fui atendida por ela não pude deixar de sorrir e olhar com firmeza em seus belos olhos castanhos. Mesmo com um balcão que nos separava podia sentir dali o cheiro de seu perfume, seu sorriso era branco como neve, mas pena que não foi direcionado pra mim, somente para a cliente que estava em minha frente para também pagar sua mercadoria. Na minha vez ela se fechou em copas. Seu semblante ficou pesado, mas mesmo assim lindo.

Saí dali rindo sozinha. Mordendo o lábio inferior e pensando em como seria ouvir a voz dela falando delicadamente comigo. Seu cheiro ficou em minhas narinas e seu jeito de trabalhar em minha lembrança.

***

Quando cheguei em casa, consegui convencer minha avó que não precisaríamos comprar ração em saco grande, que de pequenas porções seria mais fácil, mesmo ela dizendo que comprando em maior quantidade a Dani sempre fazia um desconto pra ela.

“Dani, então quer dizer que este é o nome dela. Belíssimo nome.”

***

Mal esperei o dia seguinte para poder comprar mais ração para o Baruque.

***

E assim ia todos os dias, no mesmo horário, próximo ao meio dia, pois sabia que havia somente um funcionário na loja assim poderia ficar um pouquinho mais observando ela que me olhava de forma encantadoramente encabulada.

Mas o bom é que olhava, o que chateava era que não abria um sorriso pra mim, na verdade sequer me cumprimentava direito.  

Além de ir a seu trabalho também a observava durante horas pela sacada. Ali via todos os seus passos e através da minha avó fiquei sabendo que ela era casada com um homem, não tinha filhos, e que final de semana não aparecia na loja, sua mãe, uma mulher muito distinta e linda como ela, assumia o comércio para a filha ter uma folga ao lado do marido. (eca)

Dias depois, para minha tristeza vi minha avó, que ia todos os dias na loja conversar com ela, chegar com um funcionário de Dani trazendo um saco imenso de ração pro Baruque, aquela cena detonou com o meu maior entretenimento, que era alimentar meus olhos com aquela beldade, que não era um símbolo sexual, mas era linda demais, pele queimada do sol marca do biquíni, ta certo tinha uns quilinhos a mais... E falando abertamente era isso que me encantava. Na verdade nunca me interessei por mulher muito magra, sempre admirei as femininas e normais, sabe aquelas com peito, bunda, coxas grossas... Manequim 44 esse era o meu numero preferido, de magérrima já bastava eu, que era um saco de ossos, ombros largos, exercitados por anos de natação.

***

No dia que não precisaria comprar ração pro nosso pequeno morador do quintal me restou apenas ficar cuidando pela sacada, sou distraidamente chamada pela minha avó que está no andar inferior.

-- Clau, telefone.

 Atendendo apressadamente ouvi a voz rouca de uma mulher aparentando pouca idade me chamando para uma entrevista de emprego, no dia seguinte em uma escola de línguas, algumas quadras dali.

Aceito o convite, sonhando com meu novo emprego, adormeci e sonhei com a bela Dani. O Sonho? Não lembro, mas pelo calor que acordei foi bom demais e não foi nem um pouco ingênuo.

 No horário marcado estava em frente ao diretor da famosa escola, trajava uma calça social azul e uma camisete com listras finas da mesma cor, um sapato de salto alto, da época em que freqüentava bons lugares com Sandra, apesar de bem arrumada me sentia uma Drag Queen. Aquele não fazia o meu estilo. Não mesmo.

A entrevista durou mais que o previsto, o gerente felizmente gostou de mim me informando que poderia começar na próxima segunda. Sinceramente fiquei maravilhada com a idéia, já que era recém quarta, então teria mais uns dias para me organizar e fazer os exames necessários.

Quando saí da escola liguei celular e para minha surpresa havia mais de oito ligações da minha avó, abalada e pensando no pior percebi que também havia uma mensagem dela:  
"Clau, a vó precisou sair,
mas a chave está aqui no pet com a Dani,
Procure chegar antes das 7,
Beijos da vovó."

Nossa terei que ir à loja da Dani, mal sabe minha avó que é a melhor notícia que poderia ter me dado. Antes mesmo de pensar em mais alguma coisa senti meu celular vibrando, número residencial e desconhecido. Atendi pensando ser do meu emprego, mal podia imaginar que já estava empregada.
-- Alô.
-- Clau, filha?
-- Oi vó, aconteceu alguma coisa?
-- Não filha, mas a vó quer que tu venhas aqui pegar a chave da Dani, e entregue pra Isa, assim que ela chegar, que a vo quando chegar pega a chave.
-- Vó pegar a chave da Dani? Chave de onde?
-- Pera aí filha fala aqui com ela -– disse deixando o fone mudo por alguns segundos.
-- Oi – ouvi uma delicada voz, na hora associei a bela morena fofinha que está tirando o meu sono, e me fazendo sonhar coisas impróprias quando consigo dormir.
-- Oie – falei som um sorriso bobo nos lábios e um arrepio pelo corpo.
-- Tudo bem? – nossa ela quer saber como estou.... Será que posso dizer melhor agora que estou falando com ela?
-- Tudo e com você? – diz que não e pode me contar toda tua vida... Tenho todo o tempo do mundo pra ouvir a tua voz.
-- Tudo. Então Clau, perdão chamá-la assim, mas sua avó fala tanto em ti, que já me sinto autorizada a também me dirigir a ti pelo seu apelido. 
-- Sem problemas, Soa muito bem em sua voz. – principalmente se for na hora H.
-- Então tu sabes que hoje é quarta feira e tua avó tem o baile da melhor idade, que já está acontecendo, só que como tu não tens a chave ela precisa deixar aqui, por que o baile só acaba as 20h:30min e com certeza será nesse horário que ela sairá do salão. Portanto, há necessidade de que tu passes por aqui, pegue a chave dela antes de eu fechar a loja, e fique na sala aguardando por ela, já que a campainha da casa de vocês queimou hoje cedo.
-- Hum ok! Tudo entendido. Pode deixar que estou indo pegar a chave.
-- OK! Te aguardo.
-- Beijo. – tomei a liberdade em falar.
-- Beijo até daqui a pouco.

Nossa ela me disse beijo. Não entendi nada do que ela disse, mas sei que preciso passar na loja e vê-la de pertinho, só espero que dessa vez ela seja um pouco mais simpática.

Acho que posso fazer um charminho demorar um pouco e comemorar que a partir de segunda terei um novo trabalho, o meu dinheiro, a minha vida. Mereço até uma cerveja.

Sentada em um bar, bebendo a gelada e fumando meu cigarro, vejo meu celular vibrar, “oba deve ser Dani de novo perguntando o porquê de eu estar demorando!”  pensei rindo da minha viagem. Era da escola pedindo para que eu retornasse por que não me passaram os horários. Puta merda. Logo agora que estou relaxando e comemorando? Não poderia ser depois não? Eu chego lá pela manhã e vejo o meu horário. Simples assim, afinal é tudo tão perto de casa.  Mas retornei em seguida, só que dessa vez fedendo a boteco.

Se arrependimento matasse estava morta. Mais uma hora para esperar o diretor me atender e me passar o horário. Bom que o cheiro a cigarro e o gosto da bebida já tinha saído de mim, ao menos eu não sentia mais.

Só consegui chegar à loja três horas depois da ligação, mas valeu à pena. Quando cheguei pude observar ela atendendo a clientes, um a um demorando um pouco, pois era simpática com todos, e eu parada na porta apenas sendo analisada por um dos seguranças, analisava cada movimento dela, suas unhas estavam pintadas de vermelho, um vermelho vivo, apesar de curtas ficaram lindas. O cabelo solto mais brilhante que o sol, na orelha uma argola de ouro, no corpo uma blusa vermelha novamente do mesmo modelo que deixava seu ombro a mostra, se ela soubesse o quanto admiro um ombro ela não me provocaria tanto. O perfume dela veio de novo e a voz dela com seus clientes era suave, fazia um bem danado ao meu sentido da audição. Poderia ficar horas e mais horas a ouvindo falar. No pescoço usava uma corrente de ouro com um pingente em forma de pingo, realmente muito linda.
-- Oi. O que seria para ti?  – dirigiu a mim com um sorriso de leve no rosto.

-- Oi. Hoje não comprarei nada, apenas quero a chave da vó Maria. – pedi já enxergando a chave ao lado do telefone.

-- Ah. Tu que és a neta dela? – perguntou procurando a chave atrás do balcão.

-- Sim. – confirmei analisando cada movimento –- Veja se não é aquela ali. -– falei apontando pra chave que eu já tinha visto desde o primeiro momento.

-- Ah sim. – pegou o molho e pôs em cima da mesa. Sem conseguir perder a oportunidade pus minha mão em cima da dela. Assim que senti o toque de sua pele senti meu corpo inteiro estremecer, um calor imenso da cintura pra baixo e pude perceber o olhar dela no meu decote antes de fixar nos meus olhos.

Infelizmente fui acordada daquele momento com um homem parado a porta. Sem reação apenas agradeci, pedi licença a ele e sai às pressas pro carro. Pensando em tudo, revivendo cada momento daquele dia que tinha sido mais que especial
.
“Ela gosta de mim!” era o que pensava enquanto ria sozinha.

terça-feira, 9 de abril de 2019

CAPITULO II





Tanto quinta como sexta feira foram dias muito pesados, mais de dez exames para serem feitos, e como estava sem plano de saúde tive que dar um jeito em ir a cidade vizinha fazer uns bicos como intérprete e também revisar uma monografia de urgência. 
O importante é que achei tempo para tudo, e de quebra arrumei o dinheiro para pagar meus exames.
A única coisa que não deu certo foi ver Dani, a minha Dani. Mas aproveitei o tempo disponível para ficar com vó Maria e foi muito precioso, através dela fiquei sabendo algumas coisas da minha comerciante favorita. Entre elas que Dani é uma libriana com 29 anos, casada há mais de dez com um homem de 33, que segundo a minha avó, ele é maravilhoso e que ela é completamente doida pelo marido, descobri também que ela faz faculdade à noite na federal, têm dois irmãos e um deles é gay. É filha de uma aposentada pelo estado e por um advogado renomado na cidade, mas que não fala com ela praticamente desde que casou com uma menina 20 anos mais jovem.
Enfim de toda a minha descoberta a que mais doeu foi a ouvir dizer que Dani é doida pelo marido. Confesso que fiquei sem chão, e ao mesmo tempo com a certeza de que não somente achava ela bonita, mas sim estava me interessando por ela.
Interesse este, que me fazia pensar na simples questão: Como eu poderia estar interessada por uma mulher que sequer tinha dado um beijo? Isso era muito preocupante. 
Precisava dar um jeito de esquecer aquela menina que me encantava, mesmo não me dando um sorriso sequer.
Por isso quando saí de casa na sexta feira a caminho da cidade vizinha para fazer um extra, já comentei com a vó que iria sair por lá à noite para aproveitar um pouco o término das minhas férias.
Escolhi um bar GLS, ambiente elitisado, aconchegante, mesas por todo lado, um pequeno palco onde uma mulher lindíssima tocava e cantava inesquecíveis canções da MPB, e mesmo sendo antes das oito da noite o bar já estava lotado.
A garçonete veio me atender perguntando o que eu queria beber, na verdade não queria nada de álcool. Ainda mais que teria que dirigir mais tarde por mais de uma hora até chegar em casa, por isso pedi apenas um suco. Acendi um cigarro e deixei meus pensamentos viajar. Óbvio que retornaram pra Rio Grande, em um determinado Pet.
O suco chegou e a minha única dúvida era: “Como seria se ela estivesse aqui?”, “O que ela deve estar fazendo agora?” ... Perdida em pensamentos nem percebi que a mesa da frente estava umas dez mulheres na maior festa comemorando o aniversário de uma delas, e na mesa ao lado havia uma morena, bonita bem vestida, e que me olhava de uma maneira interessante. Mas não fazia muito o meu tipo, era muito magra. Deixei de lado seus olhares e voltei a me perder em meus devaneios, nos meus planos futuros, no meu novo emprego...
-- Me empresta o fogo? - ouvi o belo sorriso da morena com um cigarro nas mãos.
-- Opa, pois não. – alcancei o isqueiro.
-- Posso sentar-me com você? – Perguntou olhando na direção de três mulheres que haviam acabado de chegar e estavam procurando mesa.
-- Pois não. – sorrindo indiquei uma cadeira -  Será que essa é a única coisa que eu sei falar?
-- Obrigada. – Sentando-se ao meu lado, com um sorriso realmente encantador.
-- De nada. Fique a vontade. Gostoso esse bar né? Não admira estar enchendo rapidamente.
-- Realmente uma delicia. E mais tarde tem um DJ fantástico.
-- Ah é? Transforma-se em uma boate?
-- Sim. Estas vendo aquela porta ali? – perguntou apontando para uma imensa porta de vidro a minha direita –- tem um salão. – informou.
-- Nossa que legal.
-- Bom mesmo. Tu não conhecias?
-- Realmente não. Nunca tinha vindo aqui antes.
-- Tu não és daqui né?
-- Como sabes? – perguntei sorrindo.
-- Teu sotaque, tem um ar de paulista, meio carioca, sei lá. – sorria
-- Na verdade nem eu sei. Sei somente que infelizmente o nosso sotaque pesado aqui do sul, com o tche, o bah, o né, ..., não tenho mais, perdi nas andanças pelo mundo. – comentei sorrindo.
-- Andanças pelo mundo?
-- Sim. Tem uns sete ou oito anos que saí do RS, morei em São Paulo, Campinas, Nova Zelândia, Florianópolis e agora de novo em minha terra amada.
-- Nossa e o que a levou mudar tanto?
-- Estudos, ideologia de vida, busca de melhora. Enfim muitas coisas.
-- E eu que pensei ser muito viajada, mas confesso que mal saí do RS. – terminou em uma bela gargalhada e pedindo mais uma dose do que bebia.
Ali ficamos conversando por horas, papo agradável, beleza estampada na pele, inteligência exalando pelos poros. Mas e minha Dani por onde será que anda? Mesmo com essa pergunta em minha mente direto, me deixei levar pelo papo da morena que se chama Manu. Entreguei-me aos encantos dela e sem saber ao certo para onde iria, a segui, e terminei a noite na cama de um motel com aquela beldade. Realmente a mulher é muito linda, muito decidida na cama e pelo jeito na vida.
Noite agradável, aproveitei para tirar todo o meu estresse afinal era muito tempo sem me relacionar com ninguém.
-- Bom dia, bela mulher. – Ouvi assim que acordei. –- Ops ou melhor, Boa tarde! – completou sorrindo a bela morena já completamente disposta naquele horário da manha.
-- Boa tarde? – completamente perdida no horário.
-- Sim branquinha, são onze horas da manhã. – disse beijando meu pé.
Nossa se ela soubesse o quanto odeio quando alguém beija o meu pé. Jamais faria isso de novo.
-- Mas onze horas não é tarde.  Ainda mais quando não se tem nada pra fazer. – disse levantando a sobrancelha e olhando em seus olhos que me devoravam.
Quem ta na chuva é pra se molhar. Pensei, mesmo que não tenha me interessado pela morena de cara, vou aproveitar mesmo o momento, ela é bonita, está aqui ao meu lado, toda querendo, vamos fazer esse esforço. “que esforço que nada a mulher é um show, linda, bonita, simpática, vai que é tua Taffarel” – ouvi do meu inconsciente e parti pra cima, degustando cada pedaço do corpaço a minha frente.
***
-- Preciso voltar pra casa, minha avó deve estar preocupada.
-- Rio Grande? – Indagou levantando a cabeça que repousava em meu peito.
-- Sim. – acariciando seu cabelo respondi.
-- Me dá uma carona?
-- Claro. Onde queres que eu te deixe?
-- Na Praia. Tenho um encontro lá com os colegas da faculdade.
-- Nossa que legal. Levo você sim, mas depois como retornas?
-- Depois. Tu. Vem. Me. Trazer. – disse entre um beijo e outro com o corpo completamente encaixado no meu.
-- Hum, interessante a proposta, mas não posso demorar a sair mesmo.
-- Não demoro prometo. – E mais uma vez atiçou meu instinto.
Conclusão: conseguimos sair da cama somente perto das duas horas da tarde.
Quando estávamos quase chegando em Rio grande, ela me fez a proposta de ir ao tal encontro com ela.
-- Mas o que vou fazer lá?
-- Se divertir, conhecer novas pessoas. Não disseste que estás de volta há muito pouco tempo? Então.
-- Pode ate ser. Mas eles não ficarão chateados de eu ir?
-- Nada, amizade nunca é de mais. Esse é o nosso lema.
-- Verdade. Amizade sempre é bom. Preciso apenas ligar pra minha avó e saber se ela não precisa de mim.
Perfeito, ligação feita, vó já sabendo que eu estava bem e pertinho de casa, liberou na boa. Pode parecer estranho, mas fico muito feliz em perguntar pra Dª Maria. “Posso fazer tal coisa?” e ouvir dela um Sim. Sei que já tenho 33 anos, mas mesmo assim, me sinto protegida, fazer o quê?
-- É aqui. Indicou-me Manu, apontando pra uma casa branca com janelas imensas de vidro, linda, cheia de carros na frente, o muro que separa o quintal da rua tinha uma extensão absurda, acho que fazia a volta na quadra.
-- Nossa Manu que casa é essa? – comentei de boca aberta com o tamanho.
-- Relaxa o que a casa tem de grande meus amigos têm de simples. Tudo gente boa e trabalhadores assim como a gente.
-- Sei. – me limitei a responder, pensando que sinceramente com o salário que eu passaria a ganhar pelas minhas aulas de inglês não dariam sequer para pagar o jardineiro daquela mansão.
Manu aperta a campainha e aparece uma mulher morena de olhos verdes, gordinha e baixinha, mas com um sorriso que encanta.
--AHHHHH – berrou ela mostrando todos os dentes da boca.
-- Manu agiu da mesma maneira, pareciam duas adolescentes de 13 anos.
-- Ai que bom que vieste. – abrindo a porta para que Manu entrasse – e essa lindeza quem é? – se referiu a mim.
-- Essa é Cacau.
-- Já sei a tua namorada. – antes mesmo que Manu falasse qualquer coisa –- seja muito bem vinda Cacau. Meu nome é Joana.
-- Obrigada. – respondi retribuindo a gentileza e a simpatia. -– muito linda sua casa.
-- E não viste a metade. – encaixando seu braço no meu. “nossa só faltou modéstia” –- mas essa casa não é minha não. Preciso comer muito arroz e feijão pra ter um palacete deste. – sorrindo gostosamente. –- Mas venha comigo que te mostro cada canto.
-- Ai to indo ver o pessoal. Estão na piscina? – perguntou Manu entrando por uma porta que nem sabia que existia.
-- Isso mesmo vai, que agora a Cacau será minha.
-- E laia, se não fosse o Jairo ser casado contigo há tantos anos, iria desconfiar hein. – Manu berrou se dirigindo ao pátio.
Rindo e brincando Joana me mostrou a casa inteira, todos os cômodos, menos uma sala e um quarto – Este é a suíte presidencial, melhor não entrarmos né Cacau? – me puxando pelo braço em direção ao corredor.
-- Preciso ir ao banheiro.
-– Têm vários. – me mostrou um e ficou a minha espera.
Descemos em direção ao quintal, muitas pessoas riam brincavam, comiam, bebiam e Manu no meio de três homens, não sei por que, mas não senti ciúme algum. Acho que nem ela me dizendo que um deles era seu marido. Claro que isso não aconteceu, aconteceu sim o inverso. Joana aos berros chamou a atenção de todos: -- Gente controle-se temos visitas. A todos apresento a namorada de Manu, aquela grossa de vestido rosa que deixou a novata sozinha dentro de casa e veio beber com os amigos. - brincou.
Manu veio na mesma hora me apresentar todos, (não lembro o nome da metade), e todos sem exceção foram muito simpáticos, alguns apertei a mão, outros já vieram com a intimidade de três beijinhos no rosto -– “E aquela ali, é a Dani, a dona da casa, mal educada que só ela, - disse apontando pra piscina -- não de bola meu amor. Saia já dessa piscina! - disse as gargalhadas.”
E nesse momento eu já estava extasiada olhando a dona da casa... Era nada mais nada menos que a minha Dani, cabelo molhado, argola grande na orelha, mesma corrente com pingente de pingo, ombros de fora, e o restante de corpo dentro da água. Mesmo eu estando com óculos escuros, percebi que nossos olhares se encontraram e algo estranho dentro de mim aconteceu além do tremor nas pernas, o coração acelerou descompassadamente. Quando a vi saindo da piscina ai mesmo que ele criou vida, queria a todo o custo sair pela boca, e esta por sua vez teve que controlar para não ficar aberta demonstrando todo o meu encantamento. Mas como não se encantar? Ela estava realmente linda. Biquíni preto, bustiê branco que cobriam seios fartos e pele dourada pelo sol. Quanto mais perto ela chegava mais eu tremia. Dirigiu-se a cadeira ao meu lado pegou uma toalha branca e infelizmente se cobriu, e mais perto chegou com seus olhos grudados nos meus. Minha reação foi apenas estender minha mão a ela e soltar um envergonhado OLA.
-- Oi Claudia. Tudo bem? Seja bem vinda! – me disse com a maior naturalidade.
--Vocês se conhecem? – Manu indagou.
-- Sim - o que dizer se não a verdade? Pena que Dani não pensou assim e respondeu um sonoro Não.
-- Então vocês se conhecem? - Manu mais uma vez perguntou.
-- De vista. - respondeu - é a neta da Dª Maria, cliente da loja.
-- Sim. Mal conversamos. Todas as vezes que nos vimos. – falei sem reação.  
-- Ah! É a menina das chaves? – Um homem lembrou. Homem este que não me era estranho. Acho que eu já o tinha visto alguma vez.
-- Isso mesmo. - Respondi a ele sorrindo, relembrando do episódio que minha vó proporcionou.
-- Menina das chaves? – Manu perguntou com ar perplexo.
-- Sim Manu, a avó dela queria sair e ela não tinha chaves daí Dª Maria deixou na loja para que eu entregasse. – esclareceu Dani.  
-- Nossa que mundo pequeno. 
-- Verdade Manu, mundo minúsculo. – comentei e me dei por conta que ate esse momento estava segurando a mão da minha Dani.
-- Mas então Claudia, seja muito bem vinda, a casa é sua. - disse entrando em casa -- Fique a vontade. – falou de dentro da cozinha. Deixando-me ali, olhando ela se distanciar.
-- Mas então Cacau seja muito bem vinda. Eu sou Antonio, esposo da Dani e dono da casa. – se apresentou salientando a palavra esposo.
-- Muito obrigada Antonio – apertando sua mão e sorrindo delicadamente. Mas a vontade mesmo que eu tinha era de berrar se afasta dela.

Em meio a tudo vieram mais pessoas conversando, Antonio se afastou indo cuidar do assado e eu fui muito bem recebida.

Pessoas extremamente inteligentes, simpáticas, lindas, mas uma beleza interna, uma simpatia sem comparação, bem coisa de brasileiro, coisa que não se vê lá fora. E mesmo conversando com todos os assuntos interessantíssimos, não parava de procurar Dani, que tinha desaparecido.

Vontade eu tinha era de entrar naquela casa e procurar por ela em cada canto. Mas não foi preciso. Após algum imenso tempo ela apareceu. Linda como sempre, cabelos molhados, óculos servindo como tiara, usando uma bermuda branca, uma blusa verde que deixava seu ombro a mostra e um tamanco de salto alto, realmente impossível não olhar, não admirar aquela beldade.

Mas assim como eu gostei, o es-po-so dela também gostou e diferente de mim pôde demonstrar esse encantamento acarinhando sua es-po-sa.

Obviamente que todos brincaram com todo o carinho demonstrado naquele momento, e eu nada pude fazer a não ser observar com uma dor de cotovelo imensa. Mas tive que disfarçar conversando com Jonas, um cara incrível que tinha acabado de chegar de Londres.

Apesar do papo gostoso não conseguia tirar os olhos de Dani, seus traços eram de uma delicadeza incrível. Acho que deixei meu interesse transpassar, pois ate Manu que parece ser muito desligada percebeu e me chamou para conversar em um canto.

-- O que está acontecendo Cacau?
-- Nada por quê? – tentando disfarçar.
-- Tu não tiras os olhos de Dani. Dá pra dizer o motivo?
-- Manuela, como tu podes ter uma crise de ciúme?
-- Emmanuelle. Com dois m e dois l, por favor! – me repreendeu ela.
-- Viu como podes ter ciúme de quem não sabe nem o seu nome?
 Veja bem, não estamos namorando. Conhecemo-nos ontem. E outra não olharia tua amiga, ate mesmo por que ela tem marido e não me envolveria com uma mulher ca-sa-da. Entendeu?
Menti, por que eu já estava muito mais que envolvida. Meu coração disparava somente em vê-la.

-- Ok, Cacau, desculpe. É que estou gostando de ficar contigo. E só em imaginar que possas estar interessada em outra pessoa já me deixa sem chão. – disse em tom de desculpas.
-- Tudo bem Emmanuelle, mas que isso não se repita.
Sorrindo como criança beijou-me o rosto, e deu um selinho em minha boca.
Após esse fato tentei não olhar mais pra Dani, mas confesso que era praticamente impossível, ela tem uma coisa que me atrai de uma maneira que não consigo controlar, parecia que eu era um imã querendo grudar naquela geladeira. Por que era isso que ela parecia. Conversava com todos, ria muito, e quando nossos olhares se encontravam ela não demonstrava nada.

Jonas aproximou-se e começamos a conversar em inglês, papo diverso e gostoso.

Manu que a essa altura já estava alegre demais devido a bebida deixa-nos sozinhos e vai ao encontro de Dani, ou melhor, fez exatamente o que eu queria fazer, ir pro lado da minha comerciante preferida. Não agüentei ali muito tempo e juntei-me a elas.
-- Nossa que papo animado. – cheguei acarinhando o cabelo de Manu. -- Posso fazer parte? – completei, já sentando ao lado dela e segurando sua mão.
-- Estávamos lembrando casos do tempo da faculdade – mentiu Manu, obvio que elas estavam falando de mim, ela estava com uma cara de safada, sem contar que entre uma palavra e outra me olhava e ria. .
-- E que casos são esses? – entrei na mentira.
-- Nada de mais. Apenas bobagens de adolescentes. – Dani comentou sorrindo em minha direção. Vontade de cobrir aquele sorriso com um beijo ali mesmo. Mas contendo meus desejos agi normalmente.
-- Fase boa. Acho que não tem melhor. Falou Manu, me olhando como se eu fosse um troféu.
-- Verdade Manu. Acho que por isso que cursei duas e estou até hoje estudando.
-- Estudas Claudia? – Dani mais uma vez falou comigo. (comemorei internamente, se pudesse sairia pulando ali mesmo)
-- Sim fiz mestrado e agora estou tentando um doutorado, mas quero aqui no Brasil. Exterior não mais, ao menos por enquanto.
-- Nossa que legal! – juro que se ela falar comigo de novo eu pulo.
-- Legal é essa tua casa, Dani. Adorei.
-- Obrigada. – mais uma vez sorrindo e eu me controlando pra não pular nela.
-- Amor o jantar está pronto. – apareceu excelentíssimo e beijando sua beldade e meu mais novo sonho de consumo.
Infelizmente os dois levantaram e foram em direção a cozinha.
-- Amor tu estás com a mão suada. – comentou Manu.
-- Verdade. Acho que estou com calor. – desconversei meu nervosismo por estar ao lado da minha Dani.
-- Mas também não tomamos um único banho de piscina.
-- Não gosto muito de piscina, prefiro praia. – Afirmei levantando e indo em direção onde o casal entrou.
-- Aonde vais?
-- Banheiro.
Quando cheguei à porta da cozinha, me deparei com uma cena desagradável, Antonio estava roçando seu corpo em Dani e beijando-a de uma maneira apaixonada.
Interrompendo o romance, fiquei parada, quando percebida, minha única atitude foi perguntar onde era o banheiro me trancar lá e ficar o maior tempo possível. Sozinha naquele ambiente frio, mas ao mesmo tempo muito bem decorado chorei, sem entender o que estava acontecendo. “como eu pude me interessar por ela?” “ela é casada é hetero o marido dela é rico, o que ela ai querer comigo?”... Perguntas mais perguntas e lágrimas que não cessavam.
E como entregar meus sentimentos assim a uma pessoa que não conhecia? Será carência?
-- Amor o jantar está servido. – ouvi Manu me chamando. “como pode isso, mal fiquei com ela e ela já me chama de amor....”
-- Estou indo.
Tentando me recompor lavei meu rosto, fiquei mais alguns minutos a sai, chegando ao quintal a mesa já estava posta, meu lugar estava guardado ao lado de Manu, não tinha coragem de olhar pra Dani, todos conversavam animadamente e eu apenas sorria, sequer tinha vontade de rir. Na verdade queria sair dali o mais rápido possível.
Após o jantar, que pra mim foi apenas salada, já que não estava no pique de comer nada muito pesado, comecei a beber, a cerveja estava no ponto, gelada e refrescante.
Manu que estranhou minha atitude, já que só tinha me visto beber suco me convidou para irmos deitar. “ai que alivio tudo o que eu mais queria era sair dali”
Dani nos levou ate o quarto, Manu subiu as escadas falando um monte de asneiras, eu as seguia somente dando risada, afinal o que o álcool não é capaz de fazer?”
No quarto lindamente mobiliado, Dani climatizou e Manu foi para o banho, deixando-nos sozinhas naquele ambiente.
Tudo o que eu queria... DANI E UMA CAMA.
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